Má saúde oral associada a risco de cancro do fígadoNotícias de Saúde

Sexta, 21 de Junho de 2019 | 7 Visualizações

Fonte de imagem: DFD Russell Medical Centers

As pessoas com uma má saúde oral podem ter um aumento de 75% do risco de carcinoma hepatocelular (a forma de cancro do fígado mais comum), descobriu um novo estudo.
 
O estudo, que foi conduzido por investigadores da Universidade Queen, em Belfast, Reino Unido, teve como base a análise de uma coorte com 469.628 indivíduos do Reino Unido.
 
A equipa investigou a associação entre doenças relacionadas com a saúde oral, como sangramento das gengivas, doença periodontal e mobilidade dentária, e o risco de vários cancros gastrointestinais, como cancro do cólon, fígado, reto e pâncreas.
 
Como resultado, embora não tenham sido detetadas associações significativas entre a maioria dos cancros gastrointestinais e uma má saúde oral, foi descoberta uma associação significativa com o cancro hepatobiliar. 
 
Efetivamente, ao longo de uma média de seis anos de acompanhamento, 4.069 participantes desenvolveram cancro gastrointestinal. 
 
Em 13% dos casos, os pacientes relataram possuir uma má saúde oral. Estes participantes eram tendencialmente mais jovens, do sexo feminino, de áreas socioeconómicas mais carenciadas e consumiam menos de duas porções diárias de fruta e legumes.
 
A equipa relatou não perceber bem os mecanismos biológicos subjacentes ao facto de a má saúde oral estar mais fortemente associada ao cancro do fígado, em vez de outros cancros do sistema digestivo. 
 
Uma possível explicação é o potencial papel do microbioma oral e gastrointestinal no desenvolvimento das doenças. “O fígado contribui para a eliminação de bactérias do organismo humano”, explicou Haydée W. T. Jordão, investigadora que liderou o estudo.
 
“Quando o fígado é afetado por doenças como a hepatite, cirrose ou cancro, a sua função irá deteriorar-se e as bactérias irão sobreviver mais tempo e assim terão o potencial de causarem mais problemas”, elucidou a investigadora.
 
Outra teoria sugere que os participantes com um número elevado de falhas de dentes poderão alterar a sua alimentação e consumir alimentos mais moles e potencialmente menos nutritivos, o que por sua vez pode influenciar o risco de cancro do fígado.

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Referência
Estudo publicado na revista “United European Gastroenterology Journal”

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