Longevidade está nos nossos genes?Notícias de Saúde

Terça, 04 de Outubro de 2016 | 25 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Apesar de a prática de exercício físico e a adoção de uma dieta saudável serem benéficas para a saúde, a esperança de vida também está associada ao ADN, defende um estudo publicado na revista “Aging”.

“O nosso estudo revela pistas valiosas sobre o que causa o envelhecimento humano, marcando um primeiro passo no desenvolvimento de métodos direcionados para abrandar o processo”, referiu, em comunicado de imprensa, o líder estudo, Steve Horvath.

Para o estudo, uma equipa de 65 cientistas de sete países diferentes analisou o ADN em amostras de sangue recolhidas em mais de 13 mil pessoas dos EUA e Europa. Através da utilização de vários métodos moleculares, incluindo um relógio epigenético desenvolvido por Steve Horvath em 2013, os investigadores mediram as taxas de envelhecimento individuais.

O relógio calcula o envelhecimento do sangue e de outros tecidos através da metilação, um processo natural que altera quimicamente o ADN ao longo do tempo. Ao comparar a idade cronológica com a idade biológica do sangue, os cientistas usaram o relógio para prever a esperança de vida de cada indivíduo.

Os investigadores ficaram surpreendidos por verificarem que o relógio epigenético foi capaz de prever a longevidade dos caucasianos, hispânicos e afro-americanos. Estes resultados mantiveram-se inalterados mesmo após os cientistas terem tido em conta os fatores de risco habituais, como idade, sexo, tabagismo, índice de massa corporal, antecedentes clínicos e hemograma.

O estudo apurou que cinco por cento da população envelhece a uma taxa mais rápida, o que resulta numa menor esperança de vida. O envelhecimento acelerado faz com que o risco destes adultos morrerem a qualquer idade aumente cerca de 50%.

Estes resultados podem explicar por que motivo alguns indivíduos morrem cedo, apesar de adotarem uma dieta saudável, praticarem regularmente exercício físico, beberem moderadamente e não fumarem. 

Steve Horvath conclui que apesar de um estilo de vida saudável ajudar a prolongar a esperança de vida, o nosso processo de envelhecimento inato impede-nos de enganar a morte para sempre. No entanto, fatores de risco como tabagismo, diabetes e pressão arterial elevada ainda preveem melhor a mortalidade do que a taxa de envelhecimento epigenética.

Douglas Kiel, outro autor do estudo, acrescenta que esta investigação validou a utilização da metilação do ADN como um biomarcador da idade biológica. Se for realmente comprovado que a metilação acelera o envelhecimento, podemos traçar estratégias para abrandar a taxa de envelhecimento e maximizar os anos de vida saudável. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Aging”

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