Leucemia linfoblástica aguda: identificado possível tratamentoNotícias de Saúde

Terça, 20 de Dezembro de 2016 | 56 Visualizações

Fonte de imagem: Medicsupply

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) de Lisboa descobriram que um composto químico a ser testado no tratamento de um determinado cancro pode também combater uma leucemia frequente em crianças, dá conta um estudo publicado na revista “Leukemia”.

O composto, CX-4945, está a ser testado, em ensaios clínicos, no tratamento do mieloma múltiplo (cancro da medula óssea).

Os investigadores, liderados por Bruno Silva-Santos, descobriram que a utilização deste composto pode ser eficaz no tratamento da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T, um cancro do sangue agressivo e frequente em crianças. 

Os linfócitos T são um tipo de leucócitos, células do sangue responsáveis pela defesa do organismo contra agentes agressores.

No caso da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T, os linfócitos T geram, eles próprios, cancro.

O CX-4945 compromete o funcionamento de uma proteína-cinase, a CK2, que, segundo Bruno Silva-Santos, é um "determinante fulcral" para a sobrevivência dos linfócitos T.

Na leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T, estas células, em particular um subtipo, as gama-delta, estão "muito dependentes" da proteína CK2.

O que o composto CX-4945 faz é matar os linfócitos T saudáveis, ao impedir o funcionamento da CK2, mas também os prejudiciais, os que geram a doença.

Desta forma, o CX-4945 pode "ser muito útil para as leucemias das crianças", referiu à agência Lusa Bruno Silva-Santos, acrescentando que a molécula pode ser um alvo "potencial para uma nova terapia" contra a leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T.

No estudo, o composto químico foi testado, em amostras de células de crianças com leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T e em células saudáveis do timo (glândula localizada por cima do coração e responsável pela produção de linfócitos T) - estas últimas também de crianças, que tiveram de ser operadas ao coração e às quais foi retirada parte do timo.

Posteriormente, o CX-4945 foi injetado num ratinho com o mesmo tipo de leucemia, tendo o grupo de cientistas conseguido "impedir o crescimento" da doença.

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Referência
Estudo publicado na revista “Leukemia”

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