Leite materno pode fornecer um impulso metabólico a bebés prematurosNotícias de Saúde

Segunda, 18 de Setembro de 2017 | 17 Visualizações

Fonte de imagem: Amamenta

O leite das mães de bebés prematuros tem quantidades de microRNA diferentes das do leite de mães de bebés de termo, o que pode ajudar os bebés prematuros a recuperar no crescimento e desenvolvimento, de acordo com uma investigação.
 
No estudo, os investigadores compararam o leite de mães de bebés prematuros – entre as 28 e 37 semanas de gestação – e de bebés de termo – depois das 38 semanas. Eles observaram as diferenças na composição dos microRNA (fragmentos de RNA que afetam a expressão dos genes e que podem ser passados para o bebé) do leite materno. 
 
“Descobrimos que há diferenças nos perfis destes microRNA e que a maioria dos microRNA alterados influenciam o metabolismo”, afirmou Molly Carney, estudante de medicina na Faculdade de Medicina Penn State, EUA. “Se esses microRNA estão a ser transferidos para o bebé, isso pode eventualmente ter um impacto na forma como o bebé processa a energia e os nutrientes”.
 
Os bebés nascidos prematuramente têm um risco acrescido em relação a uma série de problemas, incluindo atrasos de desenvolvimento. Também têm geralmente um peso mais baixo do que os outros bebés. Por essa razão, os bebés prematuros têm necessidades nutricionais diferentes dos bebés de termo.
 
Investigações anteriores já tinham estabelecido que os macronutrientes – gorduras, acúçares e proteínas – presentes no leite das mães de bebés prematuros são específicos para responder às necessidades particulares destas crianças. Mas, apesar de os investigadores já suspeitarem que os microRNA do leite materno desempenham um papel na saúde e desenvolvimento dos lactentes, não tinham ainda sido desenvolvidos estudos que analisassem especificamente diferenças nos microRNA do leite materno de mães de bebés prematuros e de termo.  
 
Os investigadores recolheram 36 amostras de leite materno de mães de bebés de termo e 31 amostras de mães de bebés que nasceram prematuramente. Seguidamente processaram as amostras num laboratório, extraindo os microRNA e comparando-os com o genoma humano para localizar as diferenças entre o leite materno de bebés prematuros e de termo.   
 
Nesta análise, os investigadores identificaram no leite materno de bebés prematuros nove microRNA que eram significativamente diferentes. Descobriram que esses microRNA têm como alvo processos metabólicos e podem ajudar na regulação da função gastrointestinal e no uso de energia nos bebés prematuros. 
 
Steven Hicks, professor assistente de pediatria na Faculdade de Medicina Penn State, observou que estes resultados podem explicar por que razão os bebés prematuros têm tendência para se desenvolverem mais quando são amamentados ao peito pelas mães. 
 
“Sabemos que os bebés prematuros têm melhores resultados de saúde com o leite materno do que com o leite artificial, e as nossas conclusões podem explicar alguns desses benefícios para a saúde associados com a amamentação”, afirmou Hicks. “Os perfis exclusivos do microRNA que encontrámos no leite dos bebés prematuros parecem estar bem adaptados para os lactentes prematuros, uma vez que têm como alvo vias metabólicas que podem estimular a recuperação do atraso no crescimento”.  
 
Por exemplo, os microRNA encontrados no leite materno dos prematuros bloqueiam a expressão tanto do gene ADRB3 como do NR3C1 – que afetam negativamente a adipogénese, ou armazenagem da gordura. Bloquear estas vias pode ajudar a estimular a produção de gordura nos bebés prematuros que têm dificuldade em aumentar de peso. 
 
Hicks explicou que estes resultados podem ter várias aplicações, incluindo a compatibilização dos bebés com leite materno doado e a criação no futuro de melhores fórmulas de leite artificial para bebés.

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Referência
Estudo publicado na revista “Pediatric Research”

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