IV Jornada Aquarius Ibérica e a IX Espanhola de Formação em Gastroenterologia reúne mais de cento e cinquenta médicos internos de Espanha e PortugalNotícias de Saúde

Sexta, 06 de Maio de 2016 | 13 Visualizações

Fonte de imagem: GuessWhat

Esta edição, que foi um sucesso em termos de participações, centrou-se nos últimos avanços em Gastrenterologia e Nutrição.

Com mais esta edição, já são mais de 1.150 médicos internos de Gastroenterologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar que participaram na formação e elevaram o seu conhecimento na área.

Valencia acolheu a mais recente edição da Jornada de Formação em Gastroenterologia organizada anualmente pela Aquarius, marca pertencente à Coca-Cola Ibéria, juntamente com a Universidade Complutense de Madrid (UCM), a Associação Espanhola de Gastroenterologia (AEG), a Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia SPG) e a Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária (SENC) com o objetivo de colaborar na formação continuada dos médicos internos que queiram elevar o seu conhecimento nestas áreas.

Mais de cento e cinquenta médicos internos de Gastroenterologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar dos hospitais universitários de Espanha e Portugal participaram na IV Jornada Aquarius Ibérica e IX Espanhola de Formação em Gastroenterologia, o que contabiliza um total de mais de 1.150 médicos internos no conjunto de todas as edições já realizadas.

O evento foi dirigido pelo Professor Enrique Rey Díaz-Rubio, Professor Titular de Medicina, Chefe do Serviço do Sistema Digestivo do Hospital Clínico Universitário de San Carlos em Madrid da Universidade Complutense de Madrid.

Dispepsia, uma abordagem moderna

Para o Prof. José Berkeley Cotter, diretor do Serviço de Gastrenterologia da Senhora da Oliveira, Guimarães -Portugal, “a dispepsia é caracterizada por uma constelação de sintomas que causam desconforto na região gastroduodenal e epigástrica. Estima-se que entre 20% e 40% da população ocidental sofra de dispepsia ao longo de 1 ano e que possa estar estreitamente relacionado com a ingestão dos alimentos"

“A dispepsia funcional é mais frequente e caracteriza-se por sintomas crónicos que se produzem pelo menos uma vez por semana e, no mínimo, durante 6 meses, sem que exista uma explicação orgânica”, acrescenta o especialista.

Durante a investigação sobre dispepsia, o Prof. Cotter refere que, “um exame de endoscopia digestiva alta é indicado como primeira escolha quando há sinais que podem ser considerados como um alarme. Se estes sinais não estão presentes, é aceitável a realização de procedimentos não-invasivos, como ecografia e testes de Helicobacter pylori para o tratamento empírico, se os resultados forem positivos".

Neste sentido, O Prof. Cotter salienta ainda que “a investigação de um paciente com dispepsia deve ter em conta os aspetos individuais e a especificidade dos sintomas que, posteriormente, refletirão na opção terapêutica mais apropriada”.

O papel dos ácidos biliares nos transtornos funcionais digestivos

Até há pouco tempo, a nossa compreensão sobre o papel fisiológico desempenhado pelos ácidos biliares era limitado ao seu papel na absorção de gordura. No entanto, nos últimos anos vários estudos têm revelado outros efeitos.

De acordo com o Prof. Enrique Rey Diaz-Rubio, chefe de Gastroenterologia do Hospital Clínico
San Carlos em Madrid, “começamos a conhecer o papel do aparelho digestivo na
regulação do trânsito intestinal e, especialmente, a participação de uma maior ou
menor quantidade de sais biliares no cólon para que se gere diarreia ou obstipação, tendo
investigado os mecanismos para o conhecido efeito catártico".

"Este conhecimento vai expandir as nossas possibilidades para explicar o fenótipo
dos pacientes com distúrbios funcionais e oferece novas oportunidades para o
desenvolvimento de armas terapêuticas. De um ponto de vista clínico, isto traduz-se
em entidades específicas clínicas (tais como a má absorção de ácidos biliares) e no
desenvolvimento de medicamentos que modificam a reabsorção de ácidos biliares",
salienta o diretor das Jornadas.

Vírus da hepatite C e insuficiência renal

Outro dos temas abordados nas jornadas foi o vírus da hepatite C e insuficiência
renal. De acordo com a Profª. Mª José Devesa, do Serviço do Sistema Digestivo do
Hospital Clínico San Carlos de Madrid, “a infeção crónica pelo vírus da hepatite C
(VHC) é a hepatite crónica mais comum em pacientes com insuficiência renal crónica.
A sua prevalência neste grupo é maior do que na população em geral devido à
transmissão nosocomial do vírus através da exposição ao sangue e produtos
sanguíneos em pacientes em hemodiálise".

“No nosso país”, segundo explica a especialista, "a
prevalência de VHC na hemodiálise encontrava-se,
num estudo realizado entre 1997 e 2001, em
22%; no entanto, os dados mais recentes
publicados em 2013 já referem um valor de 5,6%.
Em doentes com transplante renal, estes números
variam muito entre 7 e 40%, com uma grande
variabilidade geográfica e demográfica”.

No entanto, a Profª Devesa adverte que, “a importância desta infeção reside no mau prognóstico conferido à doença renal, que é responsável por um aumento da morbimortalidade antes e após o transplante de fígado”.

"Embora ainda existam alguns aspetos controversos sobre a terapia antiviral eleita em hemodiálise e do ambiente do transplante, devemos insistir sobre a necessidade de avaliar cuidadosamente a situação dos pacientes com doença renal crónica infetados com VHC e considerá-los candidatos a novos tratamentos antivirais", conclui o Prof. Devesa.

Tratamento da pancreatite aguda, as primeiras 48 horas

"Nas últimas décadas tem claramente aumentado o número de diagnósticos de pancreatite aguda, de acordo com vários estudos em diferentes países. Isto pode estar relacionado com o aumento do consumo de álcool da população, mais excesso de peso, que é associado com cálculos biliares, etc.", explica o Dr. Enrique de Madaria, da Unidade de Patologia Pancreática do Hospital Universitário Geral de Alicante.

Existem dois perfis principais perfis de doentes com pancreatite aguda, "o primeiro é o doente com cálculos biliares que geralmente tem mais de 50 anos, embora possa afetar qualquer idade, ocorrendo mais frequentemente em mulheres. O segundo perfil são doentes alcoólicos, neste caso geralmente homens acima de 40 anos, muitas vezes associada a problemas sociais", refere o especialista.

Atualmente, "não há nenhum tratamento específico para ajudar a curar. A dor é o sintoma inicial mais complicado para o doente, pelo que é feito um esforço considerável para melhorar com analgésicos. Na admissão, todos os doentes com pancreatite seguem uma dieta absoluta e são administrados líquidos intravenosos até se encontrarem melhor", salienta o Dr. De Madaria.

As vitaminas e minerais na nutrição ótima

Para o Prof. Javier Aranceta, Professor Associado de Nutrição Comunitária da Universidade de Navarra e Presidente do Comité Científico da Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária (SENC), “na sociedade atual é muito frequente uma situação de risco de ingestão inadequada de folato, vitamina D, cálcio, magnésio, ferro e zinco, entre outros elementos".

Neste sentido, o Prof. Aranceta assinala que, “as pessoas com situações especiais, doença crónica e os idosos podem precisar de orientações individualizadas. O profissional de saúde deve indicar a possibilidade de complementar sua dieta normal com alimentos enriquecidos, alimentos funcionais ou suplementos de vitaminas e/ou minerais".

Acrescenta que "os atletas ou pessoas com um estilo de vida mais ativo podem precisar de aportes extras de líquidos, nutrientes ou alimentos que devem ser valorizados de forma continuada".

"Além disso, no período preconceção e durante a gravidez a suplementação é muitas vezes necessária, ferro, cálcio... assim como adaptar o perfil alimentar de uma forma geral a esta situação tão sensível e especial. Tanto o médico e a parteira devem dar as orientações necessárias que no caso da alimentação deve ser dada de forma individual e, de preferência por e com o acompanhamento de um nutricionista", conclui o Prof. Aranceta.

Hidratação. Atividade física e saúde.

A água é um nutriente essencial que é obtido através do consumo de diferentes alimentos e bebidas como parte de nossa dieta. No caso das bebidas, é recomendável ler a informação nutricional e as calorias que fornecem. Existem alternativas de baixas calorias ou mesmo sem calorias que se podem escolher.

O Dr. Rafael Urrialde, Diretor de Saúde e Nutrição da Coca-Cola Ibéria, concluiu esta Jornada referindo que, “a necessidade de consumo de água diária estabelecida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) é, em geral, de 2 e 2,5 litros por dia para mulheres e homens adultos, respetivamente. A maioria da população europeia não cumpre estas recomendações.” O Dr. Urrialde observa ainda “a hidratação inadequada prejudica o desempenho nos exercícios aeróbicos, especialmente em climas mais quentes”.

Prof.Dr.José Cotter

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Banco da Saúde
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