Investigadores utilizam vírus para combater bactériasNotícias de Saúde

Quinta, 24 de Março de 2016 | 17 Visualizações

Fonte de imagem: equigerminal

Investigadores portugueses conseguiram eliminar a bactéria Enterobacter cloacae, uma das causadoras das infeções urinárias, através da utilização de vírus em vez de antibióticos, refere um estudo publicado na revista “Virus Research”.
 
A Universidade de Aveiro (UA) referiu em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, que esta terapia que utiliza a ação de fagos (vírus específicos que destroem apenas as bactérias) é "inócua para os seres humanos e muito mais barata de aplicar do que os antibacterianos".
 
"O trabalho abre as portas a um futuro onde as bactérias nefastas para a saúde humana, muitas das quais resistentes a antibióticos, possam ser eliminadas de forma rápida, eficaz e sem efeitos secundários", refere a nota.
 
A coordenadora do estudo, Adelaide Almeida, sustenta que esta técnica pode ajudar a eliminar bactérias similares, resistentes ou não a antibióticos, causadoras tanto de infeções urinárias como de outro tipo.
 
"Esta tecnologia, que inativa tanto bactérias resistentes a antibióticos como bactérias não resistentes, pode ser uma alternativa aos antibióticos, nomeadamente quando as bactérias que causam a infeção são resistentes aos antibióticos", refere a investigadora do Laboratório de Microbiologia Aplicada e Ambiental da UA.
 
No caso de as bactérias desenvolverem resistência aos fagos "é fácil isolar novos fagos no ambiente", refere a investigadora, acrescentando que, por outro lado, "as bactérias que desenvolvam essa resistência crescem mais lentamente e não são tão patogénicas como as não resistentes".
 
Adelaide Almeida refere ainda que a elevada eficiência na inativação bacteriana através do recurso a fagos, associada à sua segurança e aos longos períodos de sobrevivência destes vírus, "abre caminho para estudos mais aprofundados, especialmente in vivo, para controlar infeções do trato urinário e evitar o desenvolvimento de resistências por estirpes de Enterobacter cloacae a nível hospitalar".
 
A investigadora adianta que, no futuro, o paciente poderá receber o tratamento fágico por administração epidérmica ou via oral.

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Referência
Estudo da Universidade de Aveiro

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