Investigadores estudam 'monocarril' para conduzir cancro até à sua morteNotícias de Saúde

Segunda, 17 de Fevereiro de 2014 | 67 Visualizações

A ideia é forçar as células de um tipo de cancro no cérebro muito difícil de tratar, uma vez que se espalha através dos nervos e vasos sanguíneos, a "viajar" numa espécie de "monocarril" em direção a uma zona onde pode ser combatido em segurança.

O "monocarril" não é mais de uma fibra mais fina que um cabelo humano, concebida por uma equipa de investigadores norte-americanos do Instituto de Tecnologia da Georgia, para "enganar" o cancro. As células cancerígenas dos glioblastomas viajam através dos nervos e dos vasos sanguíneos para invadirem o cérebro. O que os cientistas conseguiram foi criar uma estrutura que imita esses canais que o cancro usa para se espalhar.

"As células cancerígenas normalmente fixam-se a estas estruturas e viajam nelas como num monocarril até outras partes do cérebro", explica um dos investigadores, Ravi Bellamkonda. "Ao dar-lhes uma fibra alternativa, podemos deslocar eficazmente os tumores através de um caminho diferente para uma localização à nossa escolha", congratula-se.

Na experiência em laboratório publicada na Nature Materials, a nanofibra mostrou-se eficaz em vários tipos de cancro. Testes em animais revelaram também que é possível atrair os tumores para fora do cérebro, em direção a um gel tóxico. O tamanho dos tumores dos ratos nos quais foi implantado o monocarril mostrou-se 93% inferior aos dos animais não tratados.

Em declarações à BBC, Bellamkonda, resume: "É uma forma de trazer o tumor até ao tratamento e não levar o tratamento ao tumor". 

A técnica, acredita o investigador, poderá também ser usada nos casos que é preciso operar mas o cancro se encontra numa área perigosa do cérebro.

Para já, no entanto, a descoberta encontra-se apenas numa fase inicial e precisará de muitos mais testes em animais antes de se poder considerar aplicá-la em humanos.

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Autor
Experiência em laboratório publicada na Nature Materials / Visão
Referência
investigadores norte-americanos do Instituto de Tecnologia da Georgia

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