Investigadores do i3S querem editar genes para combater a dor lombarNotícias de Saúde

Quarta, 20 de Junho de 2018 | 14 Visualizações

Fonte de imagem: Simons Foundation

A dor lombar é a principal causa de invalidez/incapacidade em Portugal e responsável número um pela perda de anos de vida útil. Agora, um grupo de investigadores quer usar a edição de genes para melhorar a terapêutica convencional.

Um projeto que visa desenvolver terapias contra a dor lombar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi premiado com 25 mil euros pela Sociedade Europeia da Coluna, anunciou o Instituto.

O financiamento obtido para o projeto, que conta com a participação dos investigadores do i3S Joana Caldeira, Raquel Gonçalves, Mário Barbosa e Carla Oliveira e de Paulo Pereira e Rui Vaz (diretor), ambos do Serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar S. João, vai permitir melhorar as terapias com células estaminais já existentes, utilizando tecnologias inovadoras para regenerar o disco intervertebral.

Os investigadores salientam que a dor lombar, que afeta a maioria da população em algum momento da sua vida, é causada frequentemente pela degeneração do disco intervertebral que ocorre com o envelhecimento.

As opções de tratamento existentes passam por medicamentos para controlar a dor ou cirurgias bastante invasivas e que, em grande parte dos casos, não apresentam soluções a longo prazo.

O projeto “Repurposing CRISPR for disc regeneration” é liderado pela investigadora Joana Caldeira, do grupo “Microenvironments for New Therapies”. A ideia do projeto é “adaptar uma tecnologia de edição de genes (CRISPR-Cas9) à regeneração do disco”, disse.

Joana Caldeira explicou que o objetivo é “utilizar esta ferramenta inovadora para recriar um microambiente fetal, que já se provou ter maior potencial regenerador”. “Deste modo, acreditamos ser possível melhorar as terapias já existentes com células estaminais, providenciando-lhes um ambiente ‘mais acolhedor’ para sobreviverem e desempenharem a sua função terapêutica”, referiu.

De acordo com a investigadora, apesar de não ser mortal, a dor lombar é a principal causa de invalidez/incapacidade em Portugal e responsável número um pela perda de anos de vida útil, à frente de outras situações como HIV, acidentes rodoviários, tuberculose, cancro de pulmão ou mesmo complicações associadas à gravidez e pós-parto. “Por todas estas razões, tem um impacto socioeconómico tremendo devido aos elevados custos associados ao tratamento e absentismo”, frisou.

A equipa de investigadores refere “o elevado valor terapêutico desta estratégia para a medicina” e aponta “o tremendo potencial de impacto no dia-a-dia de muitas pessoas, numa era em que o envelhecimento da população já foi identificado como o problema de maior relevo para a sociedade europeia”.

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