Interromper a doença de ParkinsonNotícias de Saúde

Sábado, 16 de Setembro de 2017 | 32 Visualizações

Fonte de imagem: 121doc

Cientistas da Northwestern Medicine, em Chicago, EUA, identificaram uma cascata tóxica que conduz à degeneração neuronal em pacientes com doença de Parkinson (DP) e descobriram uma forma de a interromper, refere um artigo publicado na revista “Science”. 
 
Os autores também descobriram que os modelos de ratinhos com a doença não tinham as mesmas anormalidades que encontraram nos neurónios de humanos com DP, o que revela a importância de estudar os neurónios humanos para desenvolver terapias.
 
A investigação, cujo autor principal é Dimitri Krainc, professor e presidente de Neurologia na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade de Northwestern, teve início há seis anos no laboratório Krainc do Hospital Geral de Massachusets e na Escola de Medicina de Harvard e foi completada nos últimos quatro anos em Feinberg. Lena Burbulla, investigadora pós-doutoral no laboratório de Krainc, é a primeira autora.
 
A DP é a segunda doença neurodegenerativa mais comum e é causada principalmente pela morte dos neurónios que contêm dopamina na substância negra, a região do cérebro envolvida no controlo motor. É natural as pessoas perderem neurónios de dopamina à medida que envelhecem, mas os doentes com DP perdem um número muito maior desses neurónios e as células que restam já não têm a capacidade de compensar a sua falta. 
 
Compreender como e por que razão esses neurónios morrem é um importante passo na identificação de tratamentos, afirmou Krainc. Apesar de a investigação anterior ter mostrado que o mecanismo celular responsável pela morte envolvia as mitocôndrias e lisossomas, permanecia desconhecida a forma como estas duas vias convergiam nos neurónios de dopamina para provocar a morte das células.
 
Usando neurónios humanos de doentes com DP, Krainc e a sua equipa identificaram uma cascata tóxica de disfunção mitocondrial e lisossomal iniciada por uma acumulação de dopamina oxidada e uma proteína chamada alfa-sinucleína. Mais especificamente, o artigo demonstrou que uma acumulação de dopamina oxidada reduz a atividade da glucocerobrosidase lisossomal (GCasa), uma enzima implicada no Parkinson. Essa redução, por sua vez, debilita a função lisossómica global e contribui para a degeneração dos neurónios. 
 
No entanto, a acumulação de dopamina oxidada não interferia apenas com os lisossomas. A equipa de Krainc descobriu que a dopamina também danificava a mitocôndria dos neurónios ao aumentar o stress oxidativo mitocondrial. Estas mitocôndrias disfuncionais provocavam um aumento dos níveis de dopamina oxidada, criando um ciclo vicioso. 
 
“As vias da mitocôndria e lisossoma são duas vias críticas no desenvolvimento da doença”, disse Krainc, que é também diretor do Centro de Doenças Neurológicas Raras e professor de cirurgia neurológica e fisiologia. “Juntamente com a acumulação de alfa-sinucleína, este estudo relaciona as principais caraterísticas patológicas da DP”.
 
Depois de terem catalogado a cascata tóxica, a equipa começou a procurar formas de a interromper.
 
“Uma das principais estratégias, bem-sucedida na nossa experiência, é tratar os neurónios de dopamina no início da cascata tóxica com antioxidantes específicos que melhoram o stress oxidativo mitocondrial e diminuem a dopamina oxidada”, afirmou Krainc. “Com esta abordagem, descobrimos que podemos atenuar ou prevenir os efeitos tóxicos posteriores nos neurónios dopaminérgicos humanos”.
 
Esta abordagem de interrupção da cascata tóxica da dopamina oxidada pode fornecer um alvo para o desenvolvimento de futuras terapias. Contudo, identificar doentes ou pessoas numa fase inicial de neurodegeneração pode ser difícil, uma vez que os danos ocorrem frequentemente antes do aparecimento de qualquer sintoma, segundo Krainc.

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Referência
Estudo publicado na revista “Science”

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