Infeções provocadas pelo Streptococcus: o papel de uma proteínaNotícias de Saúde

Quinta, 25 de Agosto de 2016 | 18 Visualizações

Fonte de imagem: nahoradoparto

Os pacientes com artrite reumatoide que tomam medicação para inibir uma molécula que estimula o sistema imunitário, a interleuquina -1beta (IL-1beta), são 300 vezes mais propensos a terem infeções provocadas pelo Streptococcus grupo A do que aqueles que não tomam este medicamento, dá conta um estudo publicado na revista “Science Immunology”.

A IL-1beta é uma molécula que estimula uma resposta imunitária, chamando os leucócitos ao local de infeção de forma a eliminar os agentes patogénicos invasores. Esta interleuquina é produzida pelo organismo na sua forma inativa e tem de ser clivada para ser ativada. Há muito que a comunidade científica acreditava que apenas o organismo poderia clivar e ativar a molécula, utilizando uma estrutura celular conhecida por inflamassoma.

Contudo, através de experiências realizadas em cultura de células e modelos animais, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, nos EUA, constataram que uma enzima secretada pela bactéria Streptococcus, a SpeB, também era capaz de clivar e ativar a IL-1beta, desencadeando uma resposta imune protetora. 

Christopher LaRock, um dos autores do estudo, refere que este achado pode explicar por que motivo algumas estirpes mais invasivas têm uma mutação que bloqueia a produção de SpeB, o que evita a ativação de uma resposta do sistema imunitário.

De acordo com os investigadores, para as estirpes menos invasivas, como aquelas que causam infeções na garganta, a produção da SpeB e a ativação da IL-1beta pode ser vantajosa. A resposta imune resultante pode eliminar bactérias concorrentes e ajudar o Streptococcus a estabelecer-se no organismo.

Apesar de o sistema imunitário reconhecer rapidamente e responder às infeções bacterianas, por vezes esta reação pode ficar descontrolada e conduzir a doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.

Com o intuito de investigar a função da IL-1beta, os investigadores analisaram dados da FDA associados aos efeitos adversos encontrados nos pacientes com artrite reumatoide que tomavam um fármaco capaz de inibir a IL-1beta, a anakinra. Verificou-se que os pacientes que tomavam este fármaco eram 300 vezes mais suscetíveis de sofrerem infeções estreptocócicas mais invasivas do que aqueles que não tomavam o fármaco.

Para Christopher LaRock este aumento do risco pode ser explicado pelo facto de, na ausência da IL-1beta, as estirpes de Streptococcus poderem progredir para uma infeção invasiva, mesmo produzindo SpeB, permanecendo indetetável para o sistema imunitário.

Este achado chama a atenção para a importância da IL-1beta como um sistema de alarme precoce que é desencadeado não apenas pelo hospedeiro, mas também diretamente pelas enzimas bacterianas.

Victor Nizet conclui que a inibição do sensor bacteriano do organismo pode colocar um indivíduo em risco de infeção invasiva, mas o facto de agora se saber que esta população de pacientes se encontra em maior risco pode permitir tomar medidas simples, como um melhor acompanhamento e toma de antibióticos, de modo a evitar que isto ocorra.

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Referência
Estudo publicado na revista “Science Immunology”