Infeções persistentes como conferem imunidade de longo prazo?Notícias de Saúde

Sábado, 21 de Janeiro de 2017 | 25 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Investigadores americanos acreditam ter encontrado uma explicação para a associação paradoxal entre uma infeção persistente e uma imunidade de longa duração, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Os investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, acreditam que as infeções persistentes mantêm o sistema imunológico em alerta contra novos encontros com o agente invasor, mesmo que haja o risco de doença mais tarde na vida.
 
Ao compreenderem como as infeções persistentes conduzem a uma imunidade de longa duração, a comunidade científica poderá desenvolver novas vacinas e tratamentos para os agentes patogénicos persistentes.
 
Segundo a Universidade de Washington, em informação veiculada no seu sítio da Internet, numa infeção persistente, uma pequena população de microrganismos permanece no organismo por muito tempo após os sintomas do paciente terem desaparecido. Para além do parasita causador da leishmaniose existem outros tipos de agentes patogénicos que podem causar infeções persistentes, nomeadamente a bactéria responsável pela tuberculose e os vírus que conduzem à herpes e varicela.
 
Michael Mandell, o primeiro autor do estudo, refere que, no entanto, ainda ninguém sabe o que acontece durante uma infeção persistente e por que esta está associada à imunidade.
 
De forma a aprofundar esta temática, os investigadores utilizaram a Leishmania, um parasita que pode causar úlceras na pele e pode infetar os órgãos internos. Estima-se que 250 milhões de pessoas no mundo estejam infetadas com o parasita que pode ser encontrado em zonas tropicais. Apesar de a doença poder ser mesmo fatal, quando um indivíduo é infetado fica protegido contra uma segunda infeção. Desta forma, a infeção confere uma imunidade de longa duração.
 
Acredita-se que após serem infetadas, as pessoas continuam a albergar o parasita, em quantidades baixas durante anos, após recuperarem da doença. Ao que parece esta persistência pode ser benéfica para o hospedeiro.
 
Estudos realizados em ratinhos demonstraram que a eliminação completa do parasita pode tornar os animais sensíveis ao desenvolvimento da doença se contactarem novamente com o parasita.
 
Os investigadores utilizaram marcadores fluorescentes para distinguir os diferentes tipos de células dos ratinhos e constataram que a maioria dos parasitas viviam em células imunitárias capazes de matar o parasita. Verificou-se que os parasitas tinham uma aparência normal, tanto em tamanho como na forma.
 
O estudo apurou ainda que a maioria dos parasitas continuavam a multiplicar-se. Contudo, o número total de parasitas permaneceu igual ao longo do tempo.
 
As células do sistema imunológico que albergam os parasitas são responsáveis pela morte dos agentes patogénicos e pela ativação de uma resposta imune mais robusta. É este processo, a multiplicação em curso e morte de parasitas, que os investigadores acreditam que está na base da imunidade de longa duração associada à infeção persistente, e, portanto, explica por que motivo as pessoas não ficam habitualmente doentes devido ao mesmo agente patogénico, mais do que uma vez.

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Referência
Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”