Heroinómanos dos anos 80 e 90 colocam novos desafiosNotícias de Saúde

Quarta, 17 de Janeiro de 2018 | 117 Visualizações

Fonte de imagem: IFLScience

Os “largos milhares” de dependentes de heroína que começaram a consumir nos anos 80 e 90 colocam “novos desafios” ao sistema, porque estão a envelhecer e a precisar de cuidados específicos, anunciou a agência Lusa.
 
“Felizmente contribuímos para que se mantivessem vivos e não fossem ficando pelo caminho, mas estão a envelhecer e a precisar de cuidados”, adiantou João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).
 
Para João Goulão, “os dependentes clássicos, os heroinómanos dos anos 80 e 90, que hoje estão com 50, 60, 70 anos, com as consequências do seu consumo a fazerem o seu percurso”, em termos de saúde mental e física representam “um desafio importante” na área de intervenção das toxicodependências.
 
Apesar de já não haver a perspetiva que existia “há 20 ou 30 anos” de poder contribuir para a sua plena integração na sociedade, “temos pelo menos a responsabilidade de os acompanhar enquanto envelhecem e de lhes facultar acesso a cuidados de saúde e às necessidades básicas”.
 
“Nos anos mais agudos da crise económica e social que enfrentámos houve muitas recaídas dessas pessoas particularmente vulneráveis e que são, de facto, ainda numerosas”, frisou.
 
Questionado pela Lusa sobre a importância das terapêuticas de substituição, como a metadona ou buprenorfina, o responsável disse que foram fundamentais para que “as pessoas se pudessem equilibrar” e para travar “a epidemia da sida e as hepatites” e a “mortandade causada por overdoses”.
 
“A metadona foi um instrumento fundamental no contexto das nossas políticas”, disse, sublinhando que os “indicadores de saúde melhoraram estrondosamente com esta possibilidade a par de outras medidas, como a troca de seringas”.
 
Diariamente, cerca de 15 mil toxicodependentes tomam metadona nos centros de tratamento nacionais e cerca de 2.500 noutros locais, como nas carrinhas, no âmbito da política de redução de danos que está em vigor em Portugal. Segundo João Goulão, o número de utentes que acede a estas respostas está estabilizado. Mas o envelhecimento da população toxicodependente não é o único desafio na área de intervenção do SICAD.
 
“Os grandes desafios” prendem-se com as questões ligadas ao abuso do álcool, ao abuso de medicamentos, de anabolizantes, a comportamentos aditivos sem substância, como o jogo, e “num futuro próximo” a dependência do ecrã (videojogos, redes sociais).
 
O uso da canábis também constitui um grande desafio. Neste momento entre os consumidores de substâncias ilícitas, os de canábis são os que tem “mais peso nos pedidos de ajuda” que aparecem nas unidades dedicadas a esta área, realçou.

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Referência
Considerações do diretor-geral do SICAD