Há doentes que já consomem canábis medicinal – e arriscam a vida por issoNotícias de Saúde

Sábado, 03 de Fevereiro de 2018 | 6 Visualizações

Fonte de imagem: CannaBrasil

A utilização da canábis para uso medicinal é uma realidade. Muitos doentes arriscam a vida para conseguir a planta e garantem que se sentem melhor. Dizem que a regulamentação é urgente.

Muitos doentes, na maioria doentes oncológicos, já consomem canábis medicinal. Compram a planta no mercado negro, cultivam-na em casa, produzem óleos utilizando produtos altamente inflamáveis ou vão até Espanha para a obter. Arriscam a vida de uma forma para, no fundo, a tentar salvar.

Alguns desses pacientes, avança o Jornal de Notícias, fazem apelos para que o uso medicinal de canábis seja regulamentado no sentido de facilitar a obtenção da planta. Dinis Dias, um dos fundadores da associação Cannativa — que luta pela legalização do uso da canábis –, conta que quem os procura quer perceber como pode usar a planta porque “estão desesperados”. Defende que “A regulamentação é urgente”,garantindo que há muitos que arriscam a vida ao produzir óleo de canábis com produtos altamente inflamáveis, como é o caso do gás butano ou do álcool isopropílico.

Enquanto não é legal a sua utilização, estes doentes fazem de tudo, porque “enquanto os políticos estão a discutir, o tempo está a passar” e o tempo de alguns é limitado. Os benefícios são muitos: alguns contam que nunca mais tiveram de tomar antibióticos, que nunca mais foram internados, outros contam que continuam com dores, mas são “completamente suportáveis”. Mas é a redução dos efeitos secundários da quimioterapia que leva a maioria às consultas médicas que a Cannativa disponibiliza.

O médico Javier Pedraza conta que “A maior parte quer atenuar os efeitos secundários da quimioterapia”, considerando que “nunca será terapêutico” o fumo da planta, como refere o parecer da Ordem dos Médicos. O médico defende que “a forma adequada será sempre pela via oral ou vaporizada”, embora confesse que alguns dos seus doentes fumem “charros” por razões económicas.

Ordem dos Médicos diz que existem fortes evidências de que a sua utilização atenua a dor crónica nos adultos, evita os vómito no tratamento oncológico, reduz a espasticidade (rigidez dos músculos) por esclerose múltipla e controla a ansiedade. Por outro lado, há fortes evidências de que há desenvolvimento de dependência, esquizofrenia e outras psicoses, ou dificuldades respiratórias, por exemplo.

A Ordem considera que a despenalização do cultivo para autoconsumo, a produção e comercialização em quantidades adequadas para doentes, conscientes das dúvidas científicas e consequências, pode merecer a reflexão da sociedade. Entretanto, no parlamento já foi constituído um grupo de trabalho, no âmbito da Comissão da Saúde, para analisar a regulamentação da canábis medicinal, com base em projetos apresentados pelo Bloco de Esquerda e pelo PAN.

 

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