Gravidade das doenças é influenciada pela altura do diaNotícias de Saúde

Sexta, 24 de Maio de 2019 | 17 Visualizações

Fonte de imagem: askhealthnews

Uma equipa de investigadores analisou a relação entre os ritmos circadianos e as respostas imunes, ou seja, a influência da altura do dia sobre o grau de gravidade das doenças, desde alergias a ataques cardíacos.
 
Para a sua análise, a equipa da Universidade de Genebra, Suíça, reuniu estudos predominantemente conduzidos sobre ratinhos, cujos resultados poderão ser relevantes na prática clínica, como vacinas e transplantes, por exemplo.
 
Os autores explicaram que o organismo reage a estímulos como luz e hormonas para antecipar os ritmos recorrentes do sono, metabolismo e outros processos fisiológicos. 
 
A quantidade de glóbulos brancos também oscila consoante o ritmo circadiano, tanto em humanos como em ratinhos. Isto poderá significar a possibilidade de um dia se otimizar a resposta imunológica através do ritmo circadiano.
 
A análise de vários estudos que comparavam os ritmos das células imunitárias ao longo do dia sob condições normais, inflamação e doença permitiram aos investigadores descobrir factos potencialmente relevantes para a prática clínica.
 
Os ataques cardíacos são, como se sabe, de incidência mais comum de manhã. Há estudos que sugerem que os ataques cardíacos matinais são mais graves do que os noturnos e que tal estará relacionado com o número de monócitos (um tipo de glóbulos brancos) ao longo do dia.
 
A capacidade das células imunitárias de combater as placas de aterosclerose pode depender de uma proteína conhecida como CCR2, associada à função imunitária e inflamação. Esta proteína apresenta um ritmo diário em ratinhos, atingindo um pico de manhã e, com base na sua influência sobre as células imunitárias, pode ser monitorizada para perceber o comportamento dos glóbulos brancos em ratinhos com aterosclerose. 
 
As infeções parasitárias dependem da hora do dia. Foi observado que ratinhos infetados com o parasita gastrointestinal Trichuris muris durante a manhã conseguiram matá-lo muito mais rapidamente do que ratinhos infetados ao fim do dia.
 
O recrutamento de células imunitárias perante uma inflamação pulmonar apresenta um padrão circadiano oscilatório. 
 
Os sintomas alérgicos possuem também um ritmo que depende da hora do dia, sendo normalmente piores entre a meia-noite e o início da manhã. 
 
Segundo Christoph Scheiermann, autor sénior do estudo, agora “o desafio reside em canalizar a nossa crescente perceção mecanística sobre a imunologia circadiana para tratamentos ajustados à hora do dia para os pacientes humanos”. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Trends in Immunology”