Gordura promove desenvolvimento do cancro de muitas formasNotícias de Saúde

Quarta, 06 de Setembro de 2017 | 32 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Um novo estudo apurou que o tecido adiposo, ou gordura, poderá influenciar o desenvolvimento do cancro de diversas formas.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Cornelia Ulrich, do Instituto do Cancro Huntsman, da Universidade de Utah, EUA, o estudo procurou identificar mecanismos específicos que ligam a obesidade ao cancro.
 
“A obesidade está a aumentar dramaticamente no mundo inteiro e é agora reconhecida como sendo um dos maiores fatores de risco para o cancro, com 16 tipos diferentes de cancro associados a obesidade”, explicou a investigadora.
 
A autora afirmou ainda que estudos anteriores tinham já demonstrado que a gordura contribui para o desenvolvimento do cancro pois faz aumentar o risco de inflamação, afeta o metabolismo das células cancerígenas e a imunidade, o que contribui para o desenvolvimento tumoral.
 
Para o estudo, a equipa conduziu uma análise de publicações sobre a interação entre a gordura e o cancro ao longo de 70 anos e encontrou 20 publicações dedicadas especificamente ao tema.
 
Muitos dos estudos demonstraram que as células adiposas estromais têm a capacidade de se infiltrar nas lesões cancerígenas. Estas células encontram-se em maior quantidade em pacientes obesos com cancro da próstata e com cancro da mama.
 
A análise efetuada demonstrou ainda que alguns tipos de gordura são metabolicamente ativos, segregando mais substâncias que conduzem ao desenvolvimento do cancro.
 
Existem três tipos de gordura: branca, bege e castanha. Cada tipo de gordura pode ser encontrado em quantidades diferentes e atua de forma distinta consoante a localização no corpo. A gordura branca, por exemplo, está associada à inflamação e a um prognóstico pior em pacientes com cancro da mama, anotaram os investigadores.
 
A equipa analisou o efeito da gordura nos cancros da mama, próstata, colorretal, esófago, útero, ouvidos, nariz e garganta, de acordo com a proximidade do tecido adiposo dos órgãos afetados.
 
Cornelia Ulrich explicou que com o cancro colorretal, por exemplo, o tecido adiposo está normalmente localizado junto aos tumores, e no cancro da mama a gordura faz parte do microambiente direto do tumor.
 
A autora considera que será no futuro útil avaliar o papel desempenhado pela distância do tecido relativamente à relação entre o tumor e a gordura, e procurar formas de intercetar esses processos que promovem o desenvolvimento tumoral.
 
Este estudo demonstra a importância de se manter um peso saudável. Mesmo as pessoas mais magras devem seguir uma dieta saudável e praticar exercício físico pois a gordura pode acumular-se mais profundamente, à volta dos órgãos. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Cancer Prevention Research”

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