Gonorreia: resistência aos antibióticos ameaça tratamentos na EuropaNotícias de Saúde

Quinta, 07 de Março de 2019 | 68 Visualizações

Fonte de imagem: Healthline

O relatório de 2017 do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sua sigla em inglês) sobre a suscetibilidade da bactéria causadora da gonorreia aos antibióticos normalmente usados na Europa para tratar a doença, indica que a resistência microbiana se manteve estável.
 
A gonorreia é a segunda doença sexualmente transmissível mais comum nos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu. A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e só entre 2007 e 2016 foram notificados quase 500.000 casos de gonorreia naquela região. 
 
A infeção é tratável com antibióticos e os mais comuns são a cefixima, ceftriaxona e a azitromicina.
 
Todos os anos, o ECDC participa no Euro-GASP: Programa Europeu de Vigilância Antimicrobiana dos Gonococos. O programa inclui o rastreio da suscetibilidade da Neisseria gonorrhoeae aos antibióticos e os relatórios têm sucessivamente demonstrado uma resistência elevada à azitromicina.
 
Os últimos resultados do Euro-GASP indicam que os índices de resistência à cefixima, ceftriaxona e a azitromicina mantiveram-se estáveis em relação aos anos anteriores. 
 
Em 2017 foram recolhidos e testados 3.248 isolados gonocócicos que revelaram que os índices de resistência à cefixima e azitromicina se mantiveram inalterados, com 1,9% e 7,5%, respetivamente, em relação a 2016 (2,1% e 7,5%). No entanto, aumentou o número de países a relatarem isolados resistentes para cada antimicrobiano. 
 
Não foram detetados isolados com resistência à ceftriaxona pelo segundo ano consecutivo, contra um caso em 2015, cinco em 2014 e sete em 2013.
 
“O facto de não termos observado resistência à ceftriaxona entre os isolados testados, em dois anos consecutivos, é promissor. Mas, paralelamente, o nível persistente de resistência à azitromicina na Europa é uma preocupação importante para nós pois ameaça a terapia dupla com ceftriaxona e azitromicina”, explica Gianfranco Spiteri especialista no ECDC. 
 
“Não existe uma vacina (…), se os antibióticos comuns deixarem de funcionar devido a resistência, apenas ficamos com alternativas muito limitadas para tratar a gonorreia com sucesso”, revelou.

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