Fármaco para hipertensão pode curar diabetes tipo 1Notícias de Saúde

Terça, 11 de Novembro de 2014 | 305 Visualizações

A cura para a diabetes tipo 1 pode estar num fármaco utilizado amplamente para tratar a hipertensão arterial. Um novo estudo acaba de provar que o medicamento, o verapamil, é capaz de reverter totalmente a doença em modelos animais e o primeiro ensaio clínico com humanos arranca já em 2015.

Os investigadores da Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), nos EUA, conquistaram, recentemente, uma bolsa de mais de dois milhões de dólares para a condução deste ensaio com vista a apurar se o fármaco tem o mesmo efeito nos pacientes, o que poderia significar a erradicação deste tipo de diabetes. 

De acordo com um comunicado da instituição universitária norte-americana, os cientistas vão estudar uma abordagem diferente de todas as que hoje sãpo utilizadas no combate à doença, focando-se na promoção de células especializadas do pâncreas - as células beta - responsáveis pela produção da insulina de que o organismo necessita para controlar os níveis de glicose no sangue.

Ao longo de vários anos, a equipa da Universidade do Alabama provou que os elevados níveis de açúcar no sangue fazem com que o corpo produza em excesso uma proteína denominada TXNIP, que cresce no interior das células beta como resposta à diabetes, conduzindo à sua morte e sabotando os esforços do organismo no sentido de gerar insulina. 

"Já demonstrámos, anteriormente, que o verapamil consegue prevenir a diabetes e até revertê-la em modelos animais, bem como reduzir os níveis da proteína TXNIP em amostras de células beta humanas, o que sugere que poderá haver benefícios em pacientes reais", explica Anath Shalev, cientista que será um dos coordenadores do ensaio clínico.

Segundo Shalev, "ao reduzir a TXNIP, mesmo no contexto de um quadro grave de diabetes, há efeitos benéficos, atacando-se aquela que é a principal causa da doença: a perda de células-beta". 

"A nossa abordagem tenta combater esta perda promovendo, para isso, a produção de células-beta e de insulina pelo próprio paciente, um tipo de tratamento que, neste momento, ainda não existe", congratula-se o investigador. 

Ensaio clínico com humanos arranca no início de 2015

O ensaio clínico vai contar com a participação de 52 pessoas com idades entre os 19 e os 45 anos que tenham sido diagnosticadas com diabetes tipo 1 nos três meses anteriores ao seu início. Aleatoriamente, e durante um ano, todos vão receber doses de verapamil ou de um placebo, mantendo, ao longo desse período, as injeções de insulina.

Além disso, vão também dispor de um sistema contínuo de monitorização de glicose que lhes vai permitir medir os níveis de açúcar no sangue durante 24 horas por dia, sete dias por semana. 

"Atualmente, podemos prescrever insulina e outros tipos de medicação para reduzir os níveis de glicose, mas não temos forma de parar a destruição das células beta, pelo que a doença continua a progredir", realça Fernando Ovalle, cientista e diretor do centro para a diabetes da UAB que vai também participar nos testes.

"Se o verapamil funcionar em humanos, estaremos perante um desenvolvimento verdadeiramente revolucionário no que toca a esta doença que, todos os anos, afeta um maior número de pessoas", acrescenta. 

Uma vez que o modo de ação deste fármaco é muito diferente daqueles a que os especialistas recorrem hoje em dia, esta investigação abre caminho a um novo campo de estudos no âmbito da descoberta de soluções contra a diabetes.

"Queremos encontrar novos medicamentos - diferentes dos atuais - que consigam parar a epidemia mundial que é a diabetes e melhorar a vida das pessoas afetadas pela doença", afirma Shalev. "Finalmente, temos razões para acreditar que estamos no caminho certo", conclui.

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Referência
Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), nos EUA

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