Fármaco para esclerose múltipla pode reduzir dor em quimioterapiaNotícias de Saúde

Quinta, 03 de Maio de 2018 | 18 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Uma equipa de investigadores descobriu a razão da dor severa de muitos pacientes de mieloma múltiplo submetidos a quimioterapia e que um fármaco existente pode ajudar a combater essa dor.
 
Muitos sobreviventes de mieloma múltiplo sofrem de neuropatia periférica (NPIQ), induzida por quimioterapia com o fármaco bortezomib. Este problema, que afeta mais de 40% dos pacientes tratados com o fármaco, é caracterizado por dor severa que se pode prolongar por anos, não se sabendo a razão para tal. 
 
A equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Saint Louis, EUA, sugere que um fármaco atualmente usado para tratar a esclerose múltipla consegue mitigar os efeitos adversos do bortezomib, permitindo que os pacientes completem o tratamento e os sobreviventes tenham uma melhor qualidade de vida.
 
Neste estudo, Daniela Salvemini e colegas descobriram, em ensaios com ratazanas, que o bortezomib faz acelerar a produção de uma classe de moléculas conhecida como esfingolípidos, os quais tinham já sido associados à dor neuropática. 
 
A equipa observou que as ratazanas tratadas com bortezomib começaram a acumular dois metabólitos de esfingolípidos na medula espinhal na altura em que demonstraram os primeiros sintomas de dor neuropática. 
 
No entanto, ao bloquearem a produção daquelas moléculas nas roedoras, os investigadores verificaram que as ratazanas deixaram de desenvolver NPIQ em resposta ao fármaco quimioterápico.
 
A equipa descobriu então que os fármacos que inibem a S1PR1, uma proteína recetora na superfície celular envolvida na NIPQ, fizeram com que as ratazanas não desenvolvessem a neuropatia em resposta ao bortezomib. 
 
Um desses inibidores é o fármaco fingolimod, que é usado oralmente para tratar a esclerose múltipla. Este fármaco tinha já demonstrado inibir o crescimento tumoral e aumentar os efeitos do bortezomib. Devido ao facto de ser já um fármaco em uso, poderá rapidamente ser também aprovado para prevenir e tratar a dor neuropática induzida pelo bortezomib, disseram os autores. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Journal of Experimental Medicine”

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