Fármaco carbidopa demonstrou eficácia no cancro do pâncreasNotícias de Saúde

Terça, 03 de Outubro de 2017 | 29 Visualizações

Um novo estudo demonstrou que o fármaco carbidopa que é usado no tratamento da doença de Parkinson exerce efeitos anticancerígenos significativos.
 
A carbidopa é normalmente usada em conjunto com a levodopa no tratamento daquela doença neurológica. 
 
Os resultados do estudo, que foi conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Yangzom Bhutia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Tecnológica do Texas, EUA, foram verificados em linhas celulares humanas e de ratinhos que tinham recebido doses do fármaco equivalentes às de um paciente normal.
 
Este achado poderá explicar a reduzida incidência de muitos cancros (exceto o melanoma) verificada nos pacientes com a doença de Parkinson, podendo a carbidopa vir a ser usada como medicamento anticancerígeno.
 
Já tinham sido conduzidos estudos sobre possíveis efeitos anticancerígenos da levodopa, mas não foram obtidos resultados significativos.
 
A equipa deste estudo decidiu testar então a carbidopa isoladamente sobre células cancerígenas. Foi escolhido o cancro do pâncreas devido ao facto de esta doença possuir índices de sobrevivência muito baixos e os tratamentos disponíveis serem muito limitados.
 
Yangzom Bhutia e equipa testaram o efeito da carbidopa em linhas celulares e em ratinhos com quatro semanas de idade e com cancro do pâncreas. Os ratinhos receberam o equivalente a uma dose humana de 400 miligramas diários, segura em humanos. A dose recomendada para tratar a Parkinson é de 200 miligramas por dia.
 
Foi observado que nas linhas celulares a carbidopa “reduziu significativamente o número de colónias em comparação com os controlos não tratados”. Os estudos com os ratinhos confirmaram os resultados com as linhas celulares, e a carbidopa “reduziu de forma significativa o volume tumoral em comparação com os controlos não tratados”.
 
A equipa monitorizou igualmente a atividade de uma proteína conhecida como recetor de aril hidrocarboneto (AhR), que tinha já demonstrado efeitos anticancerígenos em vários tipos de cancro. Foi verificado que a carbidopa ativa a proteína AhR, tendo atuado como agonista da AhR.
 
“A carbidopa pode ser potencialmente reutilizada para tratar o cancro do pâncreas e possivelmente outros cancros também”, disseram os investigadores. São, no entanto, necessários mais estudos.

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Referência
Estudo publicado na revista “Biochemical Journal”

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