Exercício em forma de comprimido é quase uma realidadeNotícias de Saúde

Sexta, 05 de Maio de 2017 | 48 Visualizações

Fonte de imagem: Wired

Uma equipa de investigadores conduziu um estudo em que descobriu um composto químico que consegue ativar um gene que é normalmente estimulado através da corrida.
 
O estudo conduzido pelo Instituto Salk de Estudos Biológicos, EUA, apurou que a ativação do gene conhecido como PPAR delta (PPARD) em ratinhos sedentários, fez reproduzir os efeitos benéficos do exercício aeróbico, que incluem a queima de gordura e um maior endurance.
 
Os achados poderão estar próximos da possibilidade de se desenvolver um “comprimido de exercício físico”, ou seja, um fármaco que simula os benefícios do exercício físico, considerou o autor principal do estudo, Ronald Evans.
 
Num estudo anterior, o investigador e colegas tinham descoberto que o composto químico conhecido como GW1516 (GW) ativava o gene PPARD em ratinhos normais.
 
No entanto, o composto, que foi administrado em ratinhos durante um período de quatro semanas, embora simulasse a manutenção do peso e a resposta à insulina, verificados em ratinhos com o gene PPARD permanentemente ativado, não fez aumentar o endurance.
 
Para este estudo, a equipa decidiu analisar se doses mais elevadas de GW durante um período mais longo poderiam promover o endurance aeróbico e a forma física. Foi então administrada uma dose mais elevada de GW, ao longo de oito semanas, a ratinhos sedentários.
 
Os ratinhos foram submetidos a um teste na passadeira, sendo o seu endurance aeróbico comparado com o de um grupo de roedores de controlo. Foi observado que os ratinhos que tinham recebido o GW tinham conseguido fazer exercício cerca de 70% mais tempo do que os do grupo de controlo, ou seja, 270 minutos contra 160 minutos.
 
Foi também apurado que ambos os grupos ficaram exaustos quando os níveis de açúcar no sangue desceram para cerca de 70 miligramas por decilitro, o que sugere que os baixos níveis de açúcar no sangue poderão estar associados à exaustão devida ao exercício e que o GW poderá oferecer proteção contra aquele efeito.
 
A equipa ficou surpreendida ao descobrir que os genes suprimidos em resposta ao GW incluíam os associados à decomposição dos hidratos de carbono usados para energia, o que pensam indicar que a via PPARD faz com que o açúcar deixe de ser uma fonte de energia para os músculos durante o exercício, possivelmente para salvaguardar o cérebro.
 
A equipa explicou que o organismo tende a usar a glicose como fonte de energia primária, mas que durante o exercício é necessária alguma para manter a função cerebral.
 
“Este estudo sugere que a via que queimar gordura é menos promotor de endurance do que um mecanismo compensatório para conservar a glicose”, adiantou Micheal Downes, coautor principal do estudo. “O PPARD suprime todos os pontos envolvidos no metabolismo do açúcar no musculomúsculo, sendo que a glicose pode ser redirecionada para o cérebro, mantendo assim a função cerebral”, acrescentou.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

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