Estudo indica que novas pílulas anticoncecionais podem diminuir o risco de cancro do ovárioNotícias de Saúde

Quinta, 04 de Outubro de 2018 | 19 Visualizações

Fonte de imagem: Claudia

Um novo estudo de larga escala realizado por investigadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, indica que, à semelhança do que já tinham sugerido pesquisas anteriores (que se focaram nas pílulas antigas), as novas pílulas contracetivas reduzem para menos de metade o risco de desenvolvimento de cancro do ovário.

Os anteriores estudos tinham sido feitos com mulheres que usavam as pílulas mais antigas, com uma maior quantidade de estrogénio, e por isso, este estudo, coordenado pela investigadora Lisa Iversen, pretendia preencher essa lacuna. A equipa da Universidade de Aberdeen recorreu a várias bancos de dados dinamarqueses e investigou o efeito tanto dos contracetivos hormonais combinados como daqueles que apenas contêm progestogéneos.

Os investigadores dividiram, depois, em três grupos as cerca 1,9 milhões de mulheres que constavam dos bancos de dados. Um dos grupos era formado por mulheres que nunca usaram nenhum tipo de contraceção hormonal; outro por mulheres que estavam a tomar pílulas anticoncecionais ou pararam de as de tomar até um ano antes; e um último grupo por mulheres que interromperam o uso de pílulas há mais de um ano. Aproximadamente 86% dos anticoncecionais orais usados ​​pelas mulheres eram comprimidos combinados.

Os investigadores concluíram que as mulheres que nunca usaram contracetivos hormonais tiveram maior incidência de cancro do ovário. A prevalência encontrada foi de 7,5 casos por cada cem mil pessoas/ano entre as mulheres que nunca tomaram usaram pílula contracetiva, um valor que é mais do dobro em comparação com os outros dois grupos (3,2 casos por cem mil pessoas/ano).

“Com base nos resultados, os contracetivos hormonais combinados contemporâneos estão associados a um risco reduzido de cancro do ovário em idade reprodutiva, com padrões semelhantes aos observados em produtos orais combinados mais antigos”, dizem os autores, que, no entanto, não encontraram diferenças entre as marcas de contracetivos.

O estudo não consegue, no entanto, provar nenhuma relação de causalidade entre o uso da pílula e a redução do risco de desenvolvimento de cancro do ovário e tem ainda uma outra limitação: os pesquisadores deixaram de seguir as mulheres assim que estas completaram 50 anos e, por isso, o impacto sobre elas à medida que envelheciam não foi investigado. Este dado é importante, uma vez que mais de metade dos casos da doença são diagnosticados em mulheres com mais de 65 anos.

Em Portugal, o cancro do ovário mata anualmente cerca de 350 mulheres. A taxa de mortalidade é elevada, uma vez que se estima que surgem pouco mais de 450 novos casos por ano – o diagnóstico tardio (que ainda acontece em mais de 60% das situações) ajuda a explicar a mortalidade.

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Referência
Este estudo foi publicado no British Medical Journal

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