Estudo confirma alterações químicas no cérebro dos bebés na SMSLNotícias de Saúde

Terça, 19 de Setembro de 2017 | 11 Visualizações

Investigadores da Universidade de Adelaide, Austrália, confirmaram que anomalias num químico vulgar do cérebro estão associadas à síndrome de morte súbita do latente (SMSL).
 
Os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Adelaide investigaram 41 casos de mortes por SMSL e descobriram anomalias surpreendentes numa substância química do cérebro: a serotonina. 
 
A serotonina, também conhecida como 5-HT (5-hidroxitriptamina), é um neurotransmissor que pode ser encontrado em diferentes partes do organismo, incluindo o sistema nervoso central. Entre as suas muitas funções, a serotonina está envolvida na regulação do sono e controla os sistemas cardiovascular e respiratório.
 
Esta investigação, publicada na revista “Journal of Neuropathology & Experimental Neurology”, confirma e apoia o conceito de que uma disfunção no tronco cerebral, que resulta numa expressão da serotonina significativamente alterada, está associada a algumas mortes por SMSL. 
 
A SMSL é a morte repentina e inesperada de um latente com menos de um ano de idade que não pode ser explicada por uma investigação aprofundada, incluindo a autópsia. É a causa principal de morte em bebés entre um mês e um ano de vida no mundo desenvolvido. 
 
 “A serotonina é um neuroquímico chave que desempenha um papel importante no controlo e gestão dos complexos sistemas respiratório, cardiovascular e autónomo dentro do tronco cerebral do bebé”, esclareceu Fiona Bright, estudante de doutoramento e líder do estudo sob supervisão de Roger Byard, professor de Patologia na Universidade de Adelaide.
 
“A nossa investigação sugere que alterações nestes neuroquímicos podem contribuir para uma disfunção do tronco cerebral durante um período crítico do desenvolvimento pós-natal. Como consequência, isso pode conduzir a uma incapacidade do bebé de responder adequadamente a eventos que colocam em risco a sua vida, como a falta de fornecimento de oxigénio durante o sono”.
 
“Nomeadamente, os casos de SMSL que estudámos estavam todos relacionados com pelo menos um importante fator de risco para a SMSL, com mais de metade dos bebés encontrados a dormir numa posição adversa ou tendo tido uma doença um mês antes da morte”, explicou Fiona Bright. 
 
Roger Byard afirma: “Uma melhor compreensão do papel complexo destes neuroquímicos e das causas exatas da sua disfunção no cérebro ajudará a investigação a desenvolver biomarcadores potenciais para bebés com um risco aumentado de SMSL”.
 
“Em última análise, esperamos que este trabalho conduza à melhoria das estratégias de prevenção, ajudando a salvar a vida de bebés e evitando as experiências traumáticas e emocionais de muitas famílias”, acrescentou.  

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Referência
Estudo publicado na revista “Journal of Neuropathology & Experimental Neurology”

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