Estatina pode abrandar esclerose múltipla em estádio avançadoNotícias de Saúde

Segunda, 24 de Março de 2014 | 124 Visualizações

Um dos fármacos utilizados para diminuir os níveis do colesterol, o sinvastatina, pode funcionar como uma potencial opção de tratamento para a esclerose múltipla secundária progressiva, defende um estudo publicado na revista “The Lancet”.

Nos estádios iniciais, a esclerose múltipla é caracterizada por sintomas neurológicos intermitentes, denominada por esclerose múltipla reincidente-remitente. Após 10 a 15 anos, mais de metade dos pacientes desenvolve esclerose múltipla secundária progressiva, um estado caracterizado pelo agravamento dos sintomas e aumento de incapacidade. Contudo, até à data, nenhum dos fármacos licenciados mostrou ter impacto nesta fase da doença.

As estatinas têm mostrado ter efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores. Estudos anteriores já tinham demonstrado que a toma de sinvastatina em pacientes com esclerose múltipla em estádios iniciais reduzia as lesões cerebrais. Contudo, os estudos subsequentes encontraram resultados discrepantes.

De forma a investigar o potencial efeito deste fármaco na esclerose múltipla secundária progressiva, os investigadores da Universidade de College London, no Reino Unido, administraram a 140 pacientes, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, 80mg de sinvastatina ou um placebo, ao longo de dois anos. Os pacientes foram submetidos a ressonâncias magnéticas antes e após o tratamento.  

O estudo apurou que, comparativamente com a toma de um placebo, a sinvastatina conduziu a uma diminuição na taxa de atrofia média do cérebro de 0,3% ao ano, uma redução de 43% quando foram ajustados fatores como a idade e sexo. Foi verificado que houve também uma melhoria em escalas de avaliação realizadas tanto pelos médicos como pelos pacientes. A sinvastatina mostrou ser geralmente bem tolerada, tendo os eventos secundários sido semelhantes entre os dois grupos.

De acordo com os investigadores, liderados por Jeremy Chataway, a interpretação destes resultados deve ser feita com cautela, pois podem não se traduzir necessariamente em benefícios clínicos. No entanto, estes resultados promissores justificam, segundo os investigadores, uma investigação mais aprofundada em ensaio clínicos de fase 3.

“Após quase duas décadas de pesquisa, é muito gratificante ver este progresso alcançado, uma vez que beneficiar a vida dos pacientes”, conclui o investigador.

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Autor
Estudo publicado na revista “The Lancet” / Alert Science
Referência
investigadores da Universidade de College London, no Reino Unido

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