Está doente! Será que pode ir à creche?Notícias de Saúde

Domingo, 25 de Outubro de 2015 | 8345 Visualizações

Fonte de imagem: maternidadesimples

É evidente, mas nem sempre aceitamos: a criança está doente. Achamos que teve um mau despertar ou que está a ficar constipada e atrasamos ao máximo a decisão de não a levar à creche. E certas condições laborais e sociais podem converter a doença da criança num autêntico caos familiar (Onde deixar a criança? Como justificar a falta no emprego? Quantos dias terei que faltar?).

Contudo, quando a criança está doente, não há que hesitar, mas antes aceitá-lo de imediato: Aliás, é bom prever a situação antes mesmo de que aconteça para elaborar um plano alternativo. Porque vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Do tempo que os nossos filhos passam na creche, estarão doentes, em média, dois meses ou mais por ano. Quando é que não deve ir à creche? Que benefícios tem em ficar em casa? Com que opções contamos para esses dias?

Quando não deve ir

Às vezes é muito evidente, mas outras nem tanto. Está doente ou ainda são as mucosidades da última constipação? Conhecemos o nosso filho melhor que ninguém e, com o tempo, poderemos reconhecer que está doente logo perante ao aparecimento dos primeiros sintomas. Quando tivermos dúvidas, convém conhecer os parâmetros básicos pelos quais se guiam as creches e infantários:

- A febre avisa que o corpo está a enfrentar um vírus ou uma bactéria. A partir dos 37 ou 37,5 graus, conforme a escola, avisa-se os pais para que vão buscar a criança. Se já estiver em casa com febre, é melhor não a levar sequer. Os antipiréticos baixar-lhe-ão a febre, mas passadas poucas horas terão que nos chamar para o irmos buscar.

- Os vómitos e diarreias costumam ter a sua origem nos vírus intestinais, muito contagiosos; assim, quando a criança apresentar algum destes sintomas também não deve ir à escola.

-São motivo para ficar em casa todas as doenças infeciosas ou contagiosas, as que habitualmente terminam em “ite”: conjuntivite, faringite, amigdalite, gastroenterite, otite… E ainda outras clássicas: varicela, rubéola, gripe, infeções respiratórias…

- As erupções cutâneas (com borbulhas ou manchas na pele) costumam provir de uma doença contagiosa ou de uma reação alérgica. Assim, a menos que tenhamos a certeza que se trata de uma reação alérgica, são motivo para não ir à creche.

- Se a criança tiver piolhos deverá permanecer em casa até ter terminado o tratamento e estarmos certos de que já não os tem.

Em casa está melhor

O argumento mais comum é que devemos fazê-lo pelas outras crianças para evitar o contágio. Contudo, o motivo mais importante para a deixar em casa é que a criança necessita de dar descanso ao organismo para enfrentar a doença. A criança que dá mostras de não estar bem tem as defesas em baixo e está mais propensa a apanhar qualquer infeção. Logo, necessita de apoio familiar.

Além disso, as crianças curam-se mais depressa em casa, com os cuidados de um ser querido ou de uma pessoa que lhe dedique toda a atenção. Quando são pequenos, o mais relevante é a afetividade na recuperação. O benefício evidente de estar atento de imediato aos sintomas é que o nosso filho recuperará mais cedo graças aos nossos cuidados.

E quando pode voltar à creche? Quando não tiver febre nem outros sintomas e os virmos contentes e preparados para voltar à rotina diária é um bom momento. As doenças contagiosas que requerem antibiótico normalmente deixam de o ser após 48-72 horas de estar a tomar o medicamento se a criança também deixou de apresentar sintomas. Mas nem tudo é uma questão de sintomas. Na realidade, nós sabemos quando o nosso filho já está bem. Pode não ter sintomas mas estar ainda débil, cansado, com os olhos tristes... Quem sabe ficou fraco ao tomar o antibiótico ou necessita de mais dias para recuperar totalmente. É importante respeitar o processo de recuperação até ao final. Se tivermos dúvidas, é porque não está ainda tudo bem.

Mas… com quem o devo deixar?

Algumas vezes, quando não damos resposta imediata aos sintomas é porque nos resulta problemático procurar uma alternativa para esses dias. Por isso, o melhor é prevê-lo e procurar a solução antes de surgir o problema.

Somos, sem dúvida, a melhor opção para esse momento de mal-estar e debilidade. Na cama, agasalhada pela mamã, a criança sente-se segura. Mas, se trabalharmos, será necessário ter um chefe compreensivo, possibilidade de tirar uns dias para dar assistência à família (prevista na lei) ou de poder fracionar as férias a gosto, por exemplo. Júlia chegou a um acordo com a sua chefe e quando o filho fica doente trabalha a partir de casa. Ricardo e Lúcia podem mudar os horários de maneira a que um fique de manhã e outro de tarde em casa. Porém, poucas vezes o trabalho permite a nossa ausência todo o dia, pelo que é importante procurar alternativas para o tempo em que não o podemos acompanhar. Os avós são uma alternativa fabulosa, bem como uma irmã ou uma prima. Mas nem todos têm família próxima e muitos casais encontram dificuldades no trabalho. Luísa e Rogério, por exemplo, vivem numa cidade afastados da sua família. Quando a filha adoece, a mãe de Luísa faz a mala e passa a semana com a sua neta.

Pagar a alguém para que cuide da criança, se tal for possível, também deve entrar nas nossas opções. Isso inclui procurar uma ou duas pessoas que tenham disponibilidade para ficar com o nosso filho. Podem ser amas, estudantes que têm aulas à noite, uma vizinha desempregada ou qualquer outra pessoa. É importante já a conhecer, ter algumas referências e, sobretudo, que seja de nossa confiança. Como vão servir para casos imprevistos é bom ter duas possibilidades, para o caso de nos falhar alguma.

O que acontece se me chamam e não puder ir nesse momento?

Procuram durante algumas horas a solução para a criança doente. Costumam preparar-lhe um lugar onde possa descansar tranquilo (uma caminha, uma sala mais calma e escura...) e dão-lhe a oportunidade de comer antes ou depois dos outros, conforme der mais jeito. Mas devemos ir buscá-lo o mais cedo possível.

Dar-lhe-ão os medicamentos?

Sim, darão à criança os medicamentos sempre que vão acompanhados da receita do médico e das suas indicações. Não darão nada que provenha da automedicação, à exceção de um antipirético para o qual assinaremos uma autorização quando o formos deixar à escola. Em algumas escolas consultam os pais antes de administrar o antipirético à criança.

Perderá o lugar na creche se estiver doente muito tempo?

Se faltar por uma causa justificada, como é o caso de uma doença, não perde o lugar. Contudo, se falta mais de 15 dias consecutivos sem justificação, pode perder o lugar. Isto no caso de uma creche pública (em Portugal não há creches totalmente públicas, mas IPSS- metade Estado, metade particular). No caso de se tratar de uma creche privada, dependerá do regulamento da mesma.

Quando é que pode regressar?

- As alergias, por exemplo, não o impedirão de ir à escola.

- A tosse também não: às vezes ficam como “resíduo” de uma doença.

- Nem a  expetoração. As crianças têm mucosidades muitas vezes, sem estarem propriamente doentes por causa disso.

Podem recusar-me a entrada?

Sim. Se a criança vai à escola e apresenta sintomas evidentes de estar doente ou de doença contagiosa. Não permitirão a sua entrada até ter alta médica (ao fim de cinco dias de falta por doença, terá de a levar). É uma forma de proteger todas as crianças, os outros e a ele próprio.

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Referência
SapoLifeStyle

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