Esclerose sistémica associada a microbioma intestinal desequilibradoNotícias de Saúde

Terça, 16 de Maio de 2017 | 210 Visualizações

Fonte de imagem: Medscape

Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que revelou que os indivíduos com esclerose sistémica apresentam um microbioma intestinal diferente do de indivíduos saudáveis.
 
O estudo conduzido em colaboração entre as Universidades da Califórnia em Los Angeles, EUA, e a Universidade de Oslo, Noruega, revelou que os pacientes com esclerose sistémica, ou escleroderma, apresentavam níveis mais elevados de bactérias que podem causar inflamação e níveis inferiores de bactérias que são consideradas como oferecendo proteção contra a inflamação, do que pessoas saudáveis. 
 
Para o estudo, a equipa contou com a participação de 17 pacientes com esclerose sistémica da Universidade da Califórnia, 17 pacientes do Hospital Universitário de Oslo e 17 adultos saudáveis que serviram como grupo de controlo. 
 
Foram recolhidas amostras fecais dos participantes, as quais foram analisadas para determinar a composição e abundância bacteriana das mesmas. 
 
Os investigadores verificaram que os pacientes com esclerose sistémica apresentavam níveis significativamente inferiores de bactérias protetoras da inflamação como Bacteroides (Universidades da Califórnia e Oslo), Faecalibacterium (Universidade da Califórnia) e Clostridium (Universidade de Oslo).
 
Estes pacientes possuíam também níveis bastante superiores de bactérias promotoras de inflamação como a Fusobacterium (Universidade da Califórnia) em relação aos participantes do grupo de controlo. 
 
A presença de níveis mais elevados da bactéria Clostridium foi associada a sintomas do trato gastrointestinal menos severos nos grupos de pacientes com esclerose sistémica, tanto da Universidade da Califórnia como da de Oslo.
 
Foi verificado que os pacientes da Universidade da Califórnia apresentavam um maior desequilíbrio entre as bactérias benéficas e as nocivas, uma diferença que foi atribuída à combinação de fatores genéticos e alimentação.
 
Os resultados sugerem que os sintomas gastrointestinais e a qualidade de vida dos pacientes com esclerose sistémica podem ser melhorados com o reequilíbrio das bactérias intestinais através de alterações à alimentação, probióticos e mesmo transplante fecal. 
 
A esclerose sistémica é uma doença autoimune que afeta os tecidos conectivos do organismo. É caracterizada pelo aumento da produção de tecido fibroso na pele e pode progredir para inflamação e atingir outros órgãos como os pulmões, coração, rins e trato gastrointestinal. 

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista “BMJ Open Gastroenterology”