Esclerose múltipla: transplante de células estaminais promissorNotícias de Saúde

Sábado, 25 de Fevereiro de 2017 | 39 Visualizações

Fonte de imagem: Science

Uma equipa de investigadores conduziu um estudo com células estaminais que revelou resultados promissores no tratamento da esclerose múltipla.
 
O estudo conduzido pelo Departamento de Medicina do Imperial College London, Reino Unido, demonstrou evidência adicional sobre a eficácia do tratamento de doentes de esclerose múltipla com o transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas.
 
Foi observado que o procedimento travou a doença em quase metade dos pacientes durante um período de cinco anos.
 
O transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas consiste em recolher as próprias células estaminais do paciente. Seguidamente o paciente é submetido a quimioterapia de alta dose de forma a eliminar quaisquer células doentes. As células estaminais recolhidas são depois inseridas na corrente sanguínea do paciente, de forma a que se voltem a produzir células sanguíneas normais.
 
Para o estudo, a equipa liderada por Paolo Muraro, do Departamento de Medicina daquela afamada universidade britânica, procedeu à avaliação de dados de 281 pacientes com esclerose múltipla, oriundos de 25 centros de tratamento de 13 países.
 
Os pacientes tinham sido submetidos a transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas entre 2005 e 2006. 78% dos pacientes apresentavam esclerose múltipla progressiva.
 
Os investigadores avaliaram a sobrevivência sem progressão da esclerose múltipla nos pacientes no período de cinco anos após o tratamento, bem como melhorias nos sintomas da doença, através da Escala Expandida do Estado de Incapacidade de Kurtzke (EDSS). O zero representa a não existência de incapacidade, o sete o uso de cadeira de rodas e o 10 morte por esclerose múltipla.
 
No início do estudo os pacientes apresentavam uma pontuação média de 6,5. Foi apurado que nos cinco anos que se seguiram ao tratamento, 46% dos pacientes não sofreram progressão da doença. Adicionalmente, os pacientes revelaram pequenas melhorias nos sintomas de esclerose múltipla.
 
Todavia, nos 100 dias que se seguiram ao transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas ocorreram 8 mortes nos pacientes que se pensa terem sido devidas ao tratamento. Isto porque a quimioterapia agressiva que faz parte do tratamento pode enfraquecer consideravelmente o sistema imunitário, deixando assim o paciente mais suscetível a infeções.
 
O autor principal do estudo conclui que “neste estudo, que é o maior estudo de acompanhamento de longa duração deste procedimento, demonstrámos que podemos ‘congelar’ a doença do paciente – e evitar que se torne pior até cinco anos”.
 
“No entanto temos que ter em consideração que o tratamento acarreta um pequeno risco de morte e que esta doença não põe a vida em risco imediatamente”, conclui. 

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Referência
Estudo publicado na revista “JAMA Neurology”

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