Esclerose múltipla: de que a forma a dieta afeta a progressão?Notícias de Saúde

Sábado, 24 de Outubro de 2015 | 97 Visualizações

Fonte de imagem: empowher

Os ácidos gordos afetam o desenvolvimento e progressão das doenças autoimunes inflamatórias, como a esclerose múltipla. Um estudo publicado recentemente na revista “Immunity” dá conta de que os ácidos gordos de cadeia longa promovem o desenvolvimento e propagação das células imunitárias reativas na parede intestinal. 
 
A comunidade científica tem-se focado cada vez mais no intestino humano e na sua população bacteriana, também conhecido como microbioma, especialmente no âmbito das doenças neurológicas, como é o caso da esclerose múltipla. Alguns estudos têm sugerido que, de facto, o microbioma influencia o início e progressão da doença. A interação entre o conteúdo intestinal e o sistema imunológico é influenciada por diferentes fatores, incluindo a dieta.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Ruhr, na Alemanha demonstraram, em culturas de células e modelos animais, que os ácidos gordos de cadeia longa, como o ácido láurico, promovem o desenvolvimento e propagação de células inflamatórias no intestino. Por outro lado, os ácidos gordos de cadeia curta, como o ácido propiónico ou seu sal propionato, conduzem ao desenvolvimento e propagação de células que têm a capacidade de regular a resposta inflamatória excessiva e as células imunitárias autoreativas.
 
Não se observou, contudo, quaisquer efeitos dos ácidos gordos nos intestinos de ratinhos sem bactérias. Estes resultados sugerem que o microbioma intestinal está diretamente envolvido no mecanismo de ação dos ácidos gordos. Na verdade, verificou-se que os produtos metabólicos do microbioma, e não uma única estirpe bacteriana, são os responsáveis pelos efeitos observados.
 
Atualmente os investigadores assumem que as doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, são causadas por um desequilíbrio entre os mecanismos reguladores e os autoimunes anti-inflamatórios. Ainda assim, a grande maioria das imunoterapias aprovadas têm como alvo o enfraquecimento ou bloqueio dos componentes inflamatórios do sistema imunológico. Através do reforço das vias reguladoras, utilizando, por exemplo, o propionato de etilo como um suplemento aos medicamentos estabelecidos, as terapias poderiam ser ainda mais otimizadas. 
 
Os investigadores estão já a planear aplicar estes conhecimentos no desenvolvimento de terapias nutricionais inovadoras para imunoterapias já estabelecidas no âmbito do tratamento da esclerose múltipla.

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Referência
Estudo publicado na revista “Immunity”

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