Enfartes: Mais de 20% não são detetados nas urgênciasNotícias de Saúde

Sexta, 24 de Maio de 2013 | 36 Visualizações

Um em cada cinco dos pacientes que dá entrada nos serviços de urgência com sintomas leves de enfarte agudo do miocárdio são triados como casos não urgentes, de acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção (APCI).

Helder Pereira falava à agência Lusa em jeito de balanço de um ano de atividade do programa Europeu Stent For Life em Portugal, que tem como objetivo diminuir a mortalidade por enfarte agudo do miocárdio através de uma ação rápida, quer no pedido de ajuda dos doentes, quer na intervenção médica, que passa pela realização de angioplastias.

O presidente da APCI referiu que a triagem de Manchester, sistema de triagem por prioridade nas urgências hospitalares, pode representar nestes casos um entrave, porque se o doente se dirige pelos seus próprios meios ao hospital e entra com uma dor torácica leve ou uma dor abdominal alta não traumática pode ser triado como não urgente, o que acontece em 21% dos casos.

Uma vez que não é possível alterar sistema de triagem existente, Helder Pereira sugere a presença de técnicos de cardiopneumologia nas urgências, para fazerem eletrocardiogramas e reportarem os doentes que a triagem não deteta.

No entanto, o especialista admite que este é “um problema menor” no âmbito do programa Stent For Life, que tem conhecido “grandes melhorias” desde que foi implementado em Portugal.

O principal problema com que este projeto se tem debatido, e que de certa forma está associado às urgências hospitalares, é o atraso no atendimento do doente por este se deslocar pelos seus meios para um hospital quando sente dor no peito, em vez de chamar o INEM.

“Temos registado progressos sobretudo no atraso do atendimento do doente, que era uma das principais barreiras. De 33% de doentes que ligavam para INEM, passou-se para 38%. Parece pouco mas é um progresso significativo, porque em situações de enfarte os minutos contam muito”, disse.

Relativamente à mediana de tempo desde que começa a dor até pedir ajuda, esta diminui de 118 minutos para 102 minutos, e a percentagem de pessoas que se dirigiam pelos seus meios para o hospital desceu de 60% para 40%.

O responsável pelo Stent For Life em Portugal destaca que “este programa tem como objetivo conseguir chegar ao número de 600 angioplastias primárias por milhão, por ano, e neste momento já se ultrapassou os 300 por milhão”.

 

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Autor
Lusa
Referência
Declarações do presidente da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção

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