Empresa pioneira usa algas para substituir salNotícias de Saúde

Segunda, 08 de Janeiro de 2018 | 19 Visualizações

Fonte de imagem: Algix

A UBQ tem várias investigações em curso e produz diversos produtos à base de algas. Um prémio europeu vai permitir a sua internacionalização.

Unidade de Bioquímica da Madeira (UBQ Madeira). Assim se chama a microempresa que aproveita as macroalgas marinhas para substituir o sal em alimentos e produzir extratos, num processo inovador em Portugal que prima pela obtenção de componentes biofuncionais e pela produção de suplementos e aditivos alimentares.

O nome advém de uma pareceria com a Unidade de Química da Universidade da Madeira (UMa) onde é atualmente feita a extração de suplementos da empresa sediada no Parque Empresarial de Câmara de Lobos e cuja meta é ser uma referência no mercado das biotecnologias azuis.

A UBQ promove em simultâneo a investigação das macroalgas, o estudo do seu habitat e dos benefícios para a saúde humana, e a inovação do tecido empresarial, colocando no mercado produtos alternativos ou com baixo teor de sal.

“A nossa empresa está a explorar neste momento dois caminhos: a gastronomia da saúde e a área da saúde propriamente dita”, explica João Dionísio, administrador da empresa fundada em 2011, dando conta de várias parcerias, nomeadamente com as lojas Bioforma na Madeira e nos Açores e com o chef Augustini que produz massas com algas para comercialização.

A UBQ iniciou a sua atividade comercial em finais de 2014, embora tenha como antecedente histórico os laboratórios farmacêuticos Zior, de Rodrigues Dionísio que desenvolveu nos anos 70 várias fórmulas galénicas, com o propósito de combater as carências nutricionais na população madeirense.

Para já, são os estrangeiros quem mais compra os produtos da UBQ, embora o pão produzido pela empresa esteja a registar uma crescente procura entre os locais. Trata-se de um pão de fermentação natural, com uma duração de três a quatro dias e que pode ser conservado no congelador durante seis meses. No momento, a UBQ trabalha com uma padaria regional, com receita própria, para produção e comercialização deste alimento.

A empresa opera com algas selvagens capturadas por um mergulhador profissional em diversos locais da ilha da Madeira. Depois de higienizadas, as algas são sujeitas a um processo de desidratação e secagem para eliminar a água na sua composição. São depois moídas, empacotadas e vendidas com o rótulo próprio da UBQ.

No mercado regional, estão à disposição dos compradores seis variedades de componentes de algas que permitem substituir o sal total ou parcialmente em receitas variadas – desde saladas, massas, pizzas ou estufados. Há também uma variedade considerável de produtos produzidos à base de macroalgas que ajudam a combater problemas de saúde como carência de iodo e hipertensão. Entre eles, um vinagrete com algas, uma variedade de massa com algas e suplementos alimentares.

“O iodo é um mineral fundamental, com benefícios comprovados, por exemplo, no equilíbrio da tiróide, nas restruturação da pele e do cabelo. Para além disso, estes produtos são muito ricos em vitaminas A, B, C B12 e Omega 3”, explica Yolanda Brazão, bióloga da UBQ.

A Ulva Lactuca, uma alga verde conhecida por alface-do-mar, é a estrela desta companhia. A partir desta espécie são criados temperos diversos.

Quem quiser eliminar por completo o sal da alimentação, pode optar por três modalidades: a alface do mar moída, em frasco ou saqueta, a alface do mar com ervas provence produzidas na Madeira e os orégãos com algas. Se a intenção for reduzir a quantidade de sal na alimentação, existem outras opções como o sal com alface do mar que contém sal fino marinho, o sal com algas Nori e o sal com mix de algas.

O preço de mercado destes produtos varia entre os 87 cêntimos e os 3 euros e fazem as delícias dos turistas que não raras vezes recorrem à distribuição da empresa para efetuar encomendas à distância. No futuro, as metas da UBQ Madeira vão passar pela exportação, mas para já a empresa quer consolidar a sua área de negócio e crescer sustentadamente.

Em desenvolvimento, para estar à venda em breve, estão dois novos produtos: combo moído com oregãos e combo em flocos. A empresa tem apostado nas feiras para divulgar os seus produtos e é presença assídua nos mercados regionais de produtos biológicos. Cada vez mais procurada por chef’s regionais e por alguns dos restaurantes mais conhecidos da ilha, a UBQ tem vindo a conquistar o mercado e está também presente nos supermercados Spar, Amanhecer e na maioria das lojas de venda de souvenirs e de vinhos locais.

Produção de macroalgas marinhas em Aquicultura

A UBQ, esclarece Yolanda Brazão, desenvolve os seus produtos no âmbito de combate carência de iodo presente em mais de 1 bilião de pessoas globalmente (cerca de 19% da população mundial) que estão em risco de contrair doenças originadas pela carência no consumo deste mineral.

“Esta carência representa um problema de saúde pública. Uma estimativa recente revela 23 milhões de bebés ainda nascem com um consumo de iodo considerado insuficiente”, afirma a bióloga.

Contribuir para uma alimentação saudável foi um dos objetivos na base da fundação da UBQ que vai iniciar brevemente uma nova etapa do projecto empresarial, com a construção, na Praia dos Anjos, de uma plataforma para produção de macroalgas marinhas em aquicultura que vai incluir a instalação de uma produção em offshore de plataformas marinhas (jaulas, grades ou cordames).

O investimento da ordem dos 2 milhões de euros deve ficar concluído em 2018 e inclui uma parceria com a Aquailha, uma empresa direcionada para a produção do peixe em aquacultura. As algas criadas em tanques em terra serão transferidas para o mar, para crescerem, colocadas numa estrutura implantada à volta das jaulas dos peixes. Graças ao seu potencial antibiótico vão permitir substituir parcialmente a alimentação dos peixes, numa parceria benéfica para ambas as empresas.

 

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