Ébola: Vírus pode expandir-se na RDCongo e a países vizinhos devido à insegurançaNotícias de Saúde

Quinta, 21 de Março de 2019 | 4 Visualizações

Fonte de imagem: ABC News

A degradação da segurança no Kivu Norte, na República Democrática do Congo (RDCongo), pode permitir a expansão do Ébola a outras partes do país e aos países vizinhos, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou, no entanto, “duas boas notícias”: uma é que “o surto tem sido circunscrito nos últimos sete meses a uma área geográfica chamada Kivu Norte e não se expandiu para países vizinhos. E a segunda boa notícia é que não só não está a expandir-se como está a encolher”.
 
Segundo apurou a agência Lusa, Tedros Ghebreyesus reafirmou que o objetivo da OMS é erradicar o surto nos “próximos seis meses”.
 
Este otimismo contrasta com a leitura que a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) faz da situação. Recentemente, Joanne Liu, o presidente da MSF, afirmou que a resposta sanitária ao surto de Ébola na região está “a ser tóxica”.
 
Liu apontou a “crescente militarização” como o principal ingrediente num “cocktail” de fatores que tem contribuído para uma crescente falta de confiança entre as comunidades afetadas pela epidemia.
 
Essa desconfiança, segundo a MSF, resulta na “consequência preocupante” de continuarem a surgir “novos casos de pessoas contaminadas exteriores à cadeia de transmissão”. Ou seja, afirmou Joanne Liu, “o surto não está circunscrito” e o Ébola “ainda está por cima”.
 
Tedros Ghebreyesus afirmou o contrário. “Apesar da situação [de segurança] muito difícil, o surto foi contido em 11 comunidades de um total de 28 onde houve registo de Ébola”, sublinhou o diretor-geral da OMS.
 
De acordo com últimos dados transmitidos pela OMS, o surto de Ébola na RDCongo regista até agora 927 casos confirmados e prováveis e 584 mortes. Mais de 87 mil pessoas foram vacinadas, incluindo 27 mil pertencentes ao pessoal de ação médica no país e mais 5 mil nos países vizinhos.
 
A “maior preocupação” da OMS na região, sublinhou o diretor-geral da agência das Nações Unidas, “é a segurança”. A resposta sanitária ao surto do Ébola foi já alvo de quatro ataques a centros de tratamento. 
 
O Governo congolês tem reagido a esta situação com o reforço da presença das forças de segurança na região, mas Tedros Ghebreyesus chama a atenção para a necessidade de um “equilíbrio”, por forma a não ser colocada em risco a confiança das comunidades.

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Referência
Alerta da Organização Mundial de Saúde

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