Ébola pode fazer alastrar malária na África OcidentalNotícias de Saúde

Sábado, 04 de Outubro de 2014 | 116 Visualizações

O ébola já matou mais de três mil pessoas na África Ocidental, mas não é a doença mais mortífera da região. A prevenção da malária, que mata mais de meio milhão de pessoas todos os anos, foi praticamente esquecida nos países afetados pelo ébola, o que levanta preocupações de um aumento dos casos da doença.

Graças a vários programas de prevenção, que distribuem redes mosquiteiras e oferecem tratamento, os casos de malária têm vindo a diminuir em África na última década. No entanto, na Libéria, Guiné e Serra Leoa estes esforços pararam. "É um desastre em todas as formas possíveis," afirma Estrella Larsy, membro dos Médicos Sem Fronteiras, à Nature. "O impacto na saúde pública vai ser enorme."

Na Libéria e na Guiné, medicamentos contra a malária estão fechados em armazéns, a sua distribuição parou. E, devido ao medo de contágio pelo ébola, muitos pacientes evitam as clínicas. Como tal, diz Lasry, dezenas de milhares de pessoas poderão morrer de causas que têm tratamento, como complicações de parto, diarreia, e especialmente malária.

"Ninguém está a fazer nada," diz Thomas Teuscher, da Organização Mundial de Saúde, citado pela Nature. Afirma que uma campanha de distribuição de redes mosquiteiras, que ia começar até ao final do ano na Libéria, já não vai ser lançada.

Também grave é o facto de que muitos profissionais de saúde têm medo de fazer testes sanguíneos para confirmar a presença de malária, devido ao ébola ser transmissível por contacto com sangue infetado. Se pacientes que não têm malária tomarem os medicamentos, isso pode contribuir para que o parasita desenvolva resistência às drogas.

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DN
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