É seguro consumir probióticos?Notícias de Saúde

Sexta, 14 de Dezembro de 2018 | 138 Visualizações

Fonte de imagem: Lívia Dourado

Numa altura em que o consumo de probióticos é cada vez mais generalizado, um investigador questionou-se sobre a segurança destes produtos ricos em bactérias vivas.
 
Os probióticos são atualmente bastante aclamados e o marketing criativo atribui-lhes inúmeros benefícios para a saúde, nomeadamente cardiovasculares, respiratórios, reprodutivos e mesmo psicológicos. No entanto não existem requerimentos legais para se comprovar que estes benefícios são reais e, mais importante, que o consumo de microrganismos vivos seja seguro.
 
Pieter Cohen da Faculdade de Medicina de Harvard, Boston, EUA, considera esta situação como sendo potencialmente perigosa. 
 
O especialista começa por indicar os benefícios comprovados dos probióticos, como o facto de a bactéria Saccharomyces boulardii demonstrar tratar alguns tipos de diarreia em crianças e a redução de infeções pela bactéria Clostridium difficile em adultos. 
 
Apesar dos benefícios mencionados, Pieter Cohen argumenta que não foi comprovado que as estirpes usadas em alimentos e suplementos alimentares beneficiem a saúde ou que o seu consumo seja seguro.
 
“O uso generalizado, particularmente entre pessoas que são saudáveis, ultrapassou imenso a ciência”, escreve o autor.
 
Pieter Cohen mencionou uma revisão de estudos sobre o consumo de probióticos que concluiu que a viabilidade dos benefícios dos mesmos requer uma investigação mais aprofundada. O investigador indicou ainda que os produtores daqueles produtos não são obrigados a mencionar os seus potenciais efeitos adversos.
 
Com efeito, segundo o autor, surgiram já dezenas de casos a indicarem potenciais malefícios relacionados com o consumo dos probióticos como bacterémia e fungémia (presença de fungos ou bactérias no sangue). As crianças muito pequenas e os idosos correm mais riscos de desenvolverem estes problemas pois têm sistemas imunitários mais debilitados.
 
Adicionalmente, continuou, existe o potencial risco de os produtos com probióticos apresentarem pouca qualidade e de estarem contaminados. 
 
Pieter Cohen concluiu com a recomendação que “os consumidores e os médicos não deveriam assumir que o rótulo nos suplementos probióticos oferece informação adequada para determinar se vale a pena o risco de consumir os microrganismos vivos”. 

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Referência
Estudo publicado na “JAMA Internal Medicine”