É possível tratar o cancro sem destruir as células T?Notícias de Saúde

Segunda, 20 de Novembro de 2017 | 39 Visualizações

Fonte de imagem: Memorial Sloan

Uma equipa de investigadores desenvolveu uma abordagem inovadora e única no tratamento de linfomas de células T que apenas atua sobre as células T anormais, sem destruir as células T saudáveis.
 
O novo tratamento foi desenvolvido em parceria entre investigadores da Universidade de Cardiff, País de Gales, e a empresa farmacêutica Autolus Ltd. e é muito promissor para os pacientes com aquela família de tipos agressivos de cancro.
 
Os linfomas desenvolvem-se quando os linfócitos (células imunitárias) se tornam cancerígenos.
 
Os linfócitos dividem-se em dois tipos: células B e células T. O linfoma de células B é atualmente curável devido a avanços recentes como a imunoterapia. O linfoma de células T é mais raro, mas normalmente agressivo e não possui muitas abordagens terapêuticas até à data.
 
Conseguir descobrir uma forma de eliminar as células T anormais e proteger as saudáveis, as quais são fulcrais para oferecer proteção contra as infeções, tem sido um desafio muito importante para os investigadores.
 
As células T identificam e eliminam germes através do recetor de células T, uma molécula à superfície das células. Este recetor é produzido através de uma de duas cópias duplicadas aleatoriamente do gene do recetor de células T, conhecido como C1 ou C2.
 
Como resultado, as células T usadas na luta contra os vírus e outros germes são uma mistura quase igual de células que usam genes C1 ou C2. Quando uma célula T se torna cancerígena todo o cancro advém de uma única célula, sendo que o cancro é C1 ou C2. 
 
Neste estudo, os investigadores conseguiram desenvolver uma forma de eliminarem as células T com base no facto de usarem o gene C1 ou C2. Foi assim demonstrado que ao atuar sobre o gene C-1, as células T conseguem exterminar os cancros C1, sem prejudicar as células T C-2, as quais podem assim lidar com as infeções.
 
“Os linfomas com células T são particularmente difíceis de tratar sem prejudicar as células T saudáveis essenciais que são vitais para o sistema imunitário. Esta nova e inovadora abordagem que a Autolus desenvolveu agora oferece o potencial de remover todas as células cancerígenas sem causar danos a metade das nossas células T”, comentou Andrew Sewell da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff. 

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na “Nature Medicine”

Notícias Relacionadas