É possível reparar os nervos danificados por esclerose múltipla?Notícias de Saúde

Sexta, 29 de Dezembro de 2017 | 77 Visualizações

Fonte de imagem: The Logical Indian

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

Num estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA, foi verificado que o aumento da expressão genética na síntese do colesterol dos astrócitos da medula espinhal poderá constituir uma via de reparação dos nervos que afetam a marcha.
 
Os astrócitos são um tipo de célula cerebral que é ativada na EM e desempenha diferentes funções naquela doença neurodegenerativa.
 
A EM afeta os pacientes de formas diferentes, causando mais ou menos incapacidades na função cognitiva, marcha, visão e outras, de cada paciente. Estas incapacidades são causadas pela perda da sinalização entre as extremidades dos neurónios, ou sinapses, podendo tornar-se permanentes, dependendo da região onde ocorrem.
 
A equipa especulou que os mecanismos moleculares subjacentes a cada incapacidade seriam distintos, e que oferecer tratamentos neuroprotetores à medida de cada incapacidade poderia ser mais eficaz do que os existentes que atuam sobre um conjunto de diferentes incapacidades.
 
Para o estudo, os investigadores propuseram-se concentrar na expressão genética dos astrócitos em diferentes regiões do cérebro e medula espinhal, envolvidas em diferentes funções. Os ensaios foram conduzidos em ratinhos.
 
Os investigadores observaram que na medula espinhal, uma região essencial para a função da marcha, deu-se uma redução na expressão genética da síntese do colesterol. O colesterol não deixa a corrente sanguínea para entrar no cérebro, mas é produzido nos astrócitos e contribui para a produção de mielina, que é o revestimento nervoso, e das sinapses. 
 
A equipa especulou que enquanto a inflamação causa a perda de mielina e de sinapses, a redução na expressão genética da síntese do colesterol nos astrócitos poderia explicar a razão pela qual as lesões na EM não se reparam.
 
A equipa tratou então os ratinhos com um fármaco que fazia aumentar a expressão dos genes da síntese do colesterol e, como resultado, a marcha dos roedores sofreu melhorias. Este achado pode abrir caminho para tratamentos que atuem sobre cada incapacidade nas doenças neurodegenerativas, uma abordagem  que será bem mais eficaz do que um só tratamento para tudo.
 

 

 

 

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Referência
Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

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