É possível distinguir a doença de Parkinson através do odor?Notícias de Saúde

Segunda, 25 de Março de 2019 | 58 Visualizações

Fonte de imagem: Medical News Today

Uma equipa de investigadores conseguiu identificar os compostos que constituem um odor corporal característico da doença de Parkinson, com a ajuda de uma pessoa que consegue detetar a doença através do olfato.
 
Les Milne foi diagnosticado com Parkinson com apenas 45 anos. Doze anos antes de ser diagnosticado com a doença, a mulher, Joy Milne, tinha detetado um odor diferente no marido, que interpretou como sendo de falta de higiene. Anos mais tarde, reconheceu o odor noutros pacientes também com Parkinson.
 
A notável capacidade de Joy Milne foi comprovada ao identificar corretamente a doença através do odor de roupa usada por pacientes, incluindo doentes em que a Parkinson não sido tinha ainda diagnosticada.
 
Efetivamente, no passado os médicos usavam o odor como uma ferramenta de apoio ao diagnóstico. Embora na medicina moderna os testes de olfato não sejam comuns, há doenças que são associadas a um odor característico. A diabetes é um exemplo dessas doenças.
 
Com a ajuda de Joy Milne, uma equipa de investigadores de várias universidades britânicas propôs-se descobrir os compostos químicos que causam o odor distintivo corporal nos doentes de Parkinson. 
 
Numa primeira fase, a equipa procurou identificar a origem do odor, apercebendo-se que este era mais intenso na parte superior dorsal e na testa, mas não nas axilas. Isto significa que provavelmente o odor não é derivado do suor, mas sim do sebo, o fluído ceroso gerado pelas glândulas sebáceas da pele e que a hidrata e protege.
 
A produção excessiva de sebo é um sintoma da doença de Parkinson. 
 
A equipa recolheu amostras de sebo da parte superior dorsal de mais de 60 participantes, com e sem Parkinson, e analisou-os através de espectrometria de massa. 
 
Os resultados revelaram a presença de ácido hipúrico, eicosano e octadecanal, químicos que indicam alterações nos níveis de neurotransmissores observáveis em pacientes com Parkinson, além de muitos outros biomarcadores da doença.
 
Joy Milne confirmou a presença dos compostos num teste de olfato com amostras preparadas em laboratório com aqueles químicos. Estes achados poderão conduzir a potenciais testes de rastreio não invasivos da Parkinson.

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Referência
Estudo publicado na revista “ACS Central Science”

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