Distúrbio de sono associado à obesidade e esquizofrenia através da genéticaNotícias de Saúde

Domingo, 25 de Dezembro de 2016 | 110 Visualizações

Fonte de imagem: Muita Brisa

Uma equipa internacional de investigadores descobriu ligações genéticas entre o distúrbio do sono e uma série de condições, como a síndrome das pernas inquietas, obesidade e esquizofrenia, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.

No estudo os investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA e da Universidade de Manchester, no Reino Unido, analisaram os controladores biológicos da duração do sono, insónia e sonolência diurna excessiva e como estes parâmetros estavam associados com a saúde e histórias de vida de 112.500 indivíduos.

Os participantes forneceram informações relativas à duração do sono, grau de insónia e sonolência diurna. Foram também recolhidas outras informações, nomeadamente peso corporal e doenças que os indivíduos sofriam. 

Pela primeira vez, os investigadores, liderados por Jacqueline Lane, identificaram áreas do genoma que estão associadas a distúrbios de sono, incluindo, insónia e sonolência diurna excessiva. Foram também identificadas novas ligações genéticas com várias doenças nomeadamente, síndrome das pernas inquietas, obesidade e esquizofrenia.

O estudo apurou que a associação genética mais forte para a insónia parece estar num gene já anteriormente associado à síndrome das pernas inquietas, este é um distúrbio do sistema nervoso em que há um impulso forte e irresistível de mover as pernas que se agrava à noite. Foram também identificadas outras regiões do genoma que parecem ser importantes para a insónia. Contudo, observou-se que aquelas que afetam os homens e as mulheres são diferentes.

Os cientistas identificaram ainda ligações genéticas entre uma maior duração do sono e o risco de esquizofrenia, bem como entre níveis aumentados de sonolência diurna excessiva e medidas da obesidade, como o índice de massa corporal e o perímetro da cintura.

A investigação sugere também que a insónia pode partilhar parâmetros biológicos com a depressão e o metabolismo da glucose afetado.

Martin K. Rutter, um dos autores do estudo, refere que há muito que a comunidade científica já tinha observado que havia uma ligação entre os distúrbios do sono e estas condições em estudos epidemiológicos. Contudo, esta é a primeira vez que estas ligações biológicas foram identificadas ao nível molecular.

Richa Saxena, da Escola de Medicina de Harvard, espera que estes resultados permitam desenvolver novas abordagens capazes de intervir, de uma forma mais fundamentada, numa vasta gama de condições. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

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