Diabetes: finalmente insulina em forma de comprimido?Notícias de Saúde

Segunda, 02 de Julho de 2018 | 830 Visualizações

Fonte de imagem: Opas

Uma equipa de cientistas está a desenvolver um método para administrar insulina em pessoas diabéticas em forma de comprimido, o que poderá transformar dramaticamente a forma de gerir os níveis de glicose nesta população.
 
Os investigadores da Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas John A. Paulson, da Universidade de Harvard, EUA, conseguiram contornar os problemas de deterioração rápida da insulina quando entra em contacto com o ácido gástrico ou enzimas digestivas. 
 
“Após ingerida, a insulina tem que navegar através de um difícil percurso de obstáculos antes de poder ser absorvida eficazmente pela corrente sanguínea”, confirmou Samir Mitragotri, autor sénior deste estudo.
 
Os investigadores desenvolveram, então, um revestimento complexo para o comprimido de insulina. Este revestimento foi concebido para proteger a insulina do ácido gástrico e das enzimas do intestino delgado e poder ainda penetrar nas barreiras protetoras do intestino. 
 
A insulina é inserida num líquido iónico constituído por colina e ácido gerânico, que é inserido num revestimento entérico (que impede que a cápsula se dissolva no estômago) que é resistente ao ácido gástrico.
 
O revestimento entérico protege a insulina do ambiente ácido do estômago e só se dissolve no intestino delgado. Aqui, o líquido iónico resistirá às enzimas digestivas, protegendo a insulina contra as mesmas.
 
Amrita Banerjee, primeira autora do estudo, explica que quando a insulina entra nos intestinos esta depara-se com muitas enzimas cuja função é degradar as proteínas (como a insulina). No entanto, “a insulina revestida por líquido iónico mantém-se estável”.
 
A combinação de colina e de ácido gerânico consegue depois atravessar o muco que reveste o intestino delgado e a parede do próprio intestino.
 
Se for bem-sucedido, este comprimido trará muitas vantagens, que se ficam muito além de não ser mais necessário usar agulhas.
 
Além de esta abordagem permitir a insulina lidar com todos os obstáculos, o comprimido é fácil de produzir, sendo mais económico do que outros tratamentos. A colina e o ácido gerânico podem ser usados nos seres humanos. Mais, o comprimido pode conservar-se até dois meses à temperatura ambiente, sobrevivendo mais tempo do que a insulina injetável atualmente disponível.

 

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Referência
Estudo publicado na revista “PNAS”

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