Determinada a distribuição de macronutrientes e fontes alimentares da populaçãoNotícias de Saúde

Quarta, 01 de Junho de 2016 | 682 Visualizações

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O estudo científico, publicado na revista científica Nutrients, analisa as quantidades de macronutrientes diferentes que são ingeridas, bem como as principais fontes de alimentos e bebidas que contribuem para o consumo de hidratos de carbono (incluindo açúcares livres), lipídios (entre os quais os ácidos gordos saturados, polinsaturados, monoinsaturados e colesterol), proteínas, fibras, e álcool.

A revista científica Nutrients publicou recentemente a investigação sobre "Distribuição de macronutrientes e fontes de alimentos na população espanhola”: resultados obtidos no estudo científico ANIBES. Esta é mais uma etapa na avaliação de dados antropométricos, ingestão de macronutrientes e micronutrientes e suas fontes, assim como o nível de atividade física e dados socioeconómicos da população, que tem sido coordenado pela Fundação Espanhola de Nutrição (FEN).

Esta nova investigação, inserida no estudo científico ANIBES teve como objetivo principal conhecer a distribuição de diferentes macronutrientes, bem como as principais fontes de alimentos e bebidas que contribuem para o consumo de hidratos de carbono (incluindo açúcares livres), lipídios (entre os quais os ácidos gordos saturados, os ácidos gordos polinsaturados, os ácidos gordos monoinsaturados e o colesterol), proteínas, fibras e álcool segundo o género e idade.

"Desta forma, teremos um melhor entendimento e uma informação mais detalhada e precisa sobre os diferentes grupos e subgrupos de alimentos e bebidas que fazem parte da alimentação da população espanhola", refere o Prof. Dr. Gregorio Varela-Moreiras, Presidente da Fundação Espanhola de Nutrição (FEN), Diretor do Grupo de Investigação Nutrição e Ciências da Alimentação (CEUNUT) e Catedrático de Nutrição e Bromatologia da Universidade CEU San Pablo de Madrid.

Como refere o estudo, "as profundas mudanças sociais e económicas que ocorreram em Espanha nas últimas décadas têm contribuído também para algumas mudanças nos padrões alimentares e estilos de vida". Segundo o Prof. Gregorio Varela-Moreiras, "algumas dessas mudanças tiveram um impacto que pode ser considerado positivo, tal como a disponibilidade de uma maior variedade de alimentos, que estão mais acessíveis e uma maior segurança alimentar. Em qualquer caso, globalmente, estas mudanças não garantem uma seleção adequada dos alimentos ou que exista uma adesão a um padrão de alimentação mediterrânica”.

Recomendações e Macronutrientes

Como explica ainda o presidente da FEN, “no âmbito do inquérito verificou-se que a ingestão de proteínas se encontra bem acima dos limites recomendados, que são fixados em 15% do total da energia". O grupo de alimentos de carne e seus derivados, com 33,14%, é a principal fonte alimentar deste macronutriente entre a população participante do estudo, seguido pelo grupo de cereais e derivados (17,38%) e leite e produtos lácteos (17,17%).

Entretanto, no que respeita a hidratos de carbono, "o maior consumo total de hidratos de carbono tem sido nos grupos mais jovens, em comparação com os mais velhos, e mais em homens do que mulheres", explica o Prof. Varela-Moreiras. Neste caso, o grupo de cereais e seus derivados, com 48,97%, constitui a principal fonte alimentar da amostra, seguido de leite e produtos lácteos (9,90%) e bebidas não alcoólicas (8,36%).

Ingestão diária de macronutrientes e distribuição na população do Estudo Cientifico ANIBES (9-75 anos)

As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que o total de hidratos de carbono na dieta deve ser entre 50% e 75% da energia total. Por seu lado, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), propôs em 2010 um intervalo entre 45% e 60% do consumo total de energia proveniente de hidratos de carbono.

Em relação ao açúcar, o professor afirma que "embora a EFSA não defina um limite máximo de consumo, a OMS recomenda que os adultos e os jovens devem fazer uma ingestão de açúcares livres de menos de 10% da ingestão total de energia diária. Essa mesma entidade propôs uma nova redução para 5%, pois poderia ter benefícios potenciais para a saúde."

O leite e os produtos lácteos, incluindo os subgrupos de leite, queijo, iogurte e leite fermentado e outros são o grupo de alimentos e bebidas que mais contribui para a ingestão de açúcares, seguido pelo grupo de bebidas não-alcoólicas (incluindo subgrupos de sumos e néctares, refrigerantes com açúcar, café e outras infusões, bebidas desportivas, bebidas energéticas, refrigerantes dietéticos, água e outras bebidas não alcoólicas), a fruta, açúcar e doces e cereais e derivados. É importante que cada grupo seja analisado por subgrupos de forma diferenciada pelos tipos de açúcares que eles fornecem.

No que diz respeito à fibra como macronutriente, o grupo de cereais e derivados tem sido a principal fonte de alimento, seguido dos legumes e fruta. "Os valores foram maiores em adultos com mais idade do que em populações mais jovens. Em qualquer caso, não são cumpridas as recomendações e metas nutricionais estabelecidas para a população espanhola no que diz respeito à ingestão deste componente na dieta", salienta o professor Varela-Moreiras.

Em relação aos lipídios, a situação é inversa e "existem mais jovens a consumir uma quantidade maior do que adultos, e mais homens do que mulheres. O grupo de óleos e gorduras é a principal fonte deste macronutriente", continua o Prof. Varela-Moreiras. A este grupo de alimentos segue-se o das carnes e seus derivados e o do leite e produtos lácteos.

Tanto a OMS como a FAO a nível mundial e a EFSA, a nível europeu, têm proposto como referência, no que diz respeito aos lípidos, um limite mínimo de 20% do consumo total e um limite máximo de 35%.

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Autor
Banco da Saúde
Referência
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