Desvendadas características dos “guardas” do sistema imunitárioNotícias de Saúde

Quarta, 21 de Dezembro de 2016 | 7 Visualizações

Fonte de imagem: Live Science

Investigadores alemães fizeram grandes avanços na caracterização das células dendríticas, um componente muito importante do sistema imunitário que é capaz de desencadear respostas específicas contra agentes patogénicos. Estes achados publicados na revista “Science Immunology” poderão contribuir para o desenvolvimento de futuras terapias imunes.

As células dendríticas, que populam a maioria das áreas do organismo, atuam como guardas do sistema imunitário uma vez que são capazes de reconhecer, fagocitar (ingerir) e processar os agentes patogénicos invasores. 

Estas células também são capazes de migrar para os nódulos linfático mais próximos, onde interagem com outras células do sistema imunitário de forma a ser desencadeada uma reposta imune específica contra um determinado agente patogénico. Desta forma, as células dendríticas desempenham um papel muito importante no complexo sistema imunitário. 

Nos últimos anos, a comunidade científica concluiu que as células dendríticas dos ratinhos são compostas por diferentes subtipos que diferem tanto na função como na sua distribuição no organismo. Contudo, pouco se sabia sobre o que se passava nos humanos.

Neste estudo os investigadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga e da Universidade de Bonn, na Alemanha, decidiram caracterizar sistematicamente as células dendríticas em diferentes órgãos, nomeadamente no sangue, baço, timo, amígdalas, medula óssea e no sangue do cordão umbilical. 

Através de uma técnica denominada por citometria de fluxo, os investigadores foram capazes de detetar diferentes subtipos de células dendríticas, determinaram a sua distribuição nos vários órgãos e identificaram ainda proteínas importantes encontradas na superfície das células. Verificou-se que os perfis destas proteínas presentes nos mesmos subtipos de células são constantes nos diferentes tecidos.

Posteriormente os cientistas isolaram as células dendríticas das células do sangue, baço e timo tendo analisado a sua informação genética no ARN. Através da utilização de métodos inovadores foi demonstrado que os diferentes subtipos partilham um perfil constante tendo em conta a sua localização inicial.

Por outro lado, ficou demonstrado que nos órgãos não linfoides como os pulmões e a pele, os sinais específicos do tecido tinham um maior impacto na transcrição das células dendríticas.

Assim, de acordo com estes achados e tendo em conta as características específicas das células dendríticas os cientistas esperam que haja um impacto substancial na terapia das doenças imunitárias, assim como no desenvolvimento de novas abordagens para tratar os tumores.

Diana Dudziak, uma das autoras do estudo, conclui que há evidências de que as células dendríticas possam desempenhar um papel importante em terapias inovadoras que tenham por alvo o sistema imunitário. Estes achados ajudam a compreender melhor as características fundamentais das células dendríticas.

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Referência
Estudo publicado na revista “Science Immunology”

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