Desenvolvido gel injetável para regeneração cardíaca após ataque do miocárdioNotícias de Saúde

Terça, 05 de Dezembro de 2017 | 14 Visualizações

Fonte de imagem: PicQuery

Um estudo desenvolveu um gel injetável que consegue reativar a replicação das células cardíacas após um ataque do miocárdio.
 
Por uma razão que ainda não se percebeu bem, após um ataque do miocárdio, dá-se uma perda substancial das células cardíacas, ou cardiomiócitos, e as sobreviventes não conseguem dividir-se de forma eficaz. Como consequência o coração bombeia menos sangue, fazendo aumentar a mortalidade devido a fatores cardíacos.
 
Desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina Perelman e Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade da Pensilvânia, EUA, o novo gel consegue libertar lentamente sequências genéticas curtas conhecidas como microRNA no músculo cardíaco. 
 
As microRNA atuaram sobre as vias de sinalização relacionadas com a proliferação celular e conseguiram assim inibir a paragem dos sinais de proliferação dos cardiomiócitos. Como resultado, os cardiomiócitos reativaram o seu potencial de proliferação. 
 
Os tratamentos baseados em MicroRNA já foram abordados no passado mas o desafio tem sido administrar a quantidade certa, no local certo. 
 
Os microRNA usados pela equipa duram menos de oito horas na corrente sanguínea. No entanto, devido à sua efémera duração, os pacientes têm que ser injetados frequentemente com doses elevadas de microRNA para assegurar uma quantidade suficiente no coração. Mais, devido ao facto de promoverem a proliferação celular, existe o risco de produzirem tumores como efeito de falha de alvo. 
 
Os investigadores trabalharam assim numa forma de inserirem os microRNA nos cardiomiócitos e faze-los durarem o tempo suficiente para serem eficazes. 
 
Os investigadores conseguiram assim desenvolver um gel que é pseudoplástico, ou seja, tem a capacidade de diminuir a viscosidade com o aumento da tensão mecânica, ficando mais fluído e capaz de correr numa seringa ou cateter. Adicionalmente, o gel é também autorreparador, ou seja, quando a pressão é removida, o gel volta à formação inicial, o que permite que permaneça no músculo cardíaco.  
 
Em ensaios com ratinhos que tinham tido um ataque do miocárdio, a injeção do gel provocou, assim uma maior divisão e replicação dos cardiomiócitos e os animais demonstraram uma melhor recuperação em certos aspetos clinicamente relevantes.

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Biomedical Engineering”