Desenvolvido acelerador de partículas para diagnóstico de cancroNotícias de Saúde

Terça, 12 de Fevereiro de 2019 | 17 Visualizações

Fonte de imagem: Leukemia

A Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um acelerador de partículas, pioneiro a nível mundial, que torna mais acessível um diagnóstico preciso e fiável do cancro da próstata e do cancro do pâncreas, anunciou aquela instituição.
 
O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), unidade da UC, desenvolveu o acelerador de partículas (ciclotrão) para otimizar a produção do isótopo Gálio-68, de forma mais pura e eficiente, fundamental para o diagnóstico de cancro da próstata e do cancro do pâncreas, e até aqui de difícil acesso.
 
A tecnologia para a produção deste isótopo e transformação em radiofármaco foi completamente desenvolvida pelo ICNAS, em colaboração com a multinacional belga IBA, explicou à agência Lusa o coordenador do projeto, Francisco Alves.
 
O primeiro ciclotrão deste tipo deverá chegar a Coimbra em março e a sua produção pela IBA (utilizando a tecnologia patenteada pelo ICNAS) para todo o mundo avançará após a sua validação na UC.
 
Apesar dos seus cerca de dois metros de altura e largura, o acelerador pesa perto de 17 toneladas, e, lá dentro, faz-se aquilo a que o investigador do ICNAS denomina de "alquimia do século XXI".
 
Transforma água em Flúor-18 (o isótopo mais utilizado para diagnóstico de cancro) e, agora, vai passar a transformar uma solução onde está dissolvido zinco (um elemento estável e presente na natureza) em Gálio-68, um elemento radioativo.
 
Este elemento radioativo poderá mudar por completo o acesso ao diagnóstico a partir de radiofármacos para tumores neuroendócrinos (pâncreas) e da próstata, salienta o coordenador do projeto.
 
"Não são tumores normalmente detetados no exame clássico e que estão a ter uma importância crescente. Os neuroendócrinos são muito agressivos e muito mortais, e a sua deteção precoce é muito importante", vincou.
 
Até ao momento, o processo para utilizar Gálio-68 para esses exames de diagnóstico era muito dispendioso, tendo que se comprar um gerador deste isótopo - que custa cerca de 70 mil euros -, que pode demorar ano e meio a chegar e que depois apenas dura seis meses, com capacidade para produzir duas a três doses diárias.
 
"Estamos a tornar o gálio muito mais acessível, o exame fica a um custo mais baixo" e produz as doses de acordo com as necessidades do sistema de saúde, vincou.
 
Para além da melhoria no diagnóstico do cancro, este isótopo permite ainda "avaliar qual o grau de evolução da doença, verificar qual a melhor terapêutica ou se a terapêutica que está a ser seguida é eficaz ou não", referiu o diretor do ICNAS.

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Referência
Estudo conduzido pela Universidade de Coimbra

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