Desenvolvida técnica que reduz riscos na remoção de tumores cranianosNotícias de Saúde

Quarta, 06 de Junho de 2018 | 30 Visualizações

Fonte de imagem: Health Matters - NewYork-Presbyterian

Um professor de Neurorradiologia da Universidade do Algarve (UAlg) está a implementar em Portugal uma técnica que permite reduzir os riscos cirúrgicos na remoção de tumores na base do crânio, noticiou a agência Lusa.
 
Segundo Pedro Gonçalves Pereira, trata-se de um desenvolvimento avançado da técnica de Tractografia por Ressonância Magnética que é aplicada no planeamento cirúrgico destes tumores, que representam 10% a 15% de todos os tumores intracranianos, para identificar e preservar os nervos cranianos durante a cirurgia.
 
"Os tumores ao crescerem acabam por interferir com a função dos nervos e o cirurgião, quando os aborda, só tem a perceção da localização dos nervos que estão desviados quando está a remover o tumor", explicou o médico à Lusa, acrescentando que a nova técnica permite conhecer a localização do desvio dos nervos antes da cirurgia.
 
De acordo com o investigador, na técnica de ressonância que existia até há poucos anos "essa diferenciação antes da cirurgia não era conseguida", causando, em alguns casos, o corte inadvertido de um nervo, com “implicações definitivas” para o doente.
 
Por outro lado, sublinha, o tipo de tecido nervoso do tumor em relação ao nervo "é muito parecido", não sendo fácil distinguir pelo cirurgião apenas pela observação visual, o que faz com que esta diferenciação, através de imagens, torne as cirurgias mais seguras e mais rápidas.
 
O método permite obter as imagens em aproximadamente seis minutos, quando existem centros que demoram 40 minutos a obter a mesma informação.
 
Por enquanto, Pedro Gonçalves Pereira é o único neurorradiologista a usar esta técnica em Portugal, que podia estar disponível "em qualquer serviço de Neurocirurgia que tenha ressonância moderna", pelo menos dos últimos dez anos.
 
"Não há hoje motivo para eu continuar a ser a única pessoa do país que faz isto, idealmente devia ser feito em todo o país", concluiu.
 
Além de estar disponível num hospital de Lisboa, a técnica apenas é usada em poucos centros de neurociências da Europa e dos Estados Unidos da América.

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