Desenvolvida lente que reduz progressão de miopia em criançasNotícias de Saúde

Segunda, 15 de Janeiro de 2018 | 56 Visualizações

Fonte de imagem: The New Daily

Uma equipa internacional, que inclui cientistas da Universidade do Minho (UMinho), conseguiu reduzir em 59% a progressão da miopia em crianças dos oito aos 12 anos através de uma "lente de contacto especial".
 
Em comunicado enviado à agência Lusa, a UMinho explica que o ensaio clínico com uma nova lente de contacto decorreu desde 2012 e concluiu que o uso daquela lente na infância "traz benefícios claros para a saúde pública, porque é na infância que os valores da miopia mais agravam, podendo disparar na fase adulta a probabilidade de problemas severos de visão".
 
A miopia consiste em ver mal ao longe e deve-se ao crescimento excessivo do olho, sendo que a cada milímetro que este aumenta, ganha-se três dioptrias de miopia. A equipa internacional mostrou que, após três anos, as crianças com as lentes de contacto especiais tiveram 0,5 milímetros de crescimento ocular, isto é, menos de metade face às outras crianças do estudo.
 
"É possível atrasar o crescimento do olho humano com dispositivos óticos", aponta no texto o diretor do Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental (CEORLab) do Centro de Física da UMinho, José González-Méijome, que trata esta linha de estudo precursora há 15 anos.
 
Estas lentes de contacto "distinguem-se pela distribuição específica da potência, o seu desenho ótico, que vai alterar a imagem que se forma na retina, estimulando menos o crescimento do olho", refere o investigador.
 
Segundo a UMinho, "a miopia em menores de dez anos costuma alcançar valores elevados na idade adulta e pode levar a doenças da retina e nervo ótico, como glaucoma, desprendimento da retina, mácula e mesmo a cegueira", sendo que "a probabilidade de ter estas doenças é dez vezes maior em míopes com mais de três dioptrias e até cem vezes maior para aqueles com cinco ou mais dioptrias".
 
Aquela "anomalia visual" tornou-se uma pandemia em diversas partes do mundo e, refere o comunicado, "prevê-se que em 2050 mais de 50% da população mundial tenha este defeito ocular, 10% da qual com miopia alta".
 
A equipa liga também a investigação às neurociências, entendendo melhor os processos de crescimento e controlo do globo ocular e os mecanismos de ação destes e outros tratamentos, para desenvolver dispositivos mais eficazes.
 
O ensaio clínico com a nova lente de contacto envolveu ainda as universidades de Aston (Inglaterra), de Waterloo (Canadá) e o Hospital Universitário de Singapura.

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Referência
Estudo da Universidade do Minho e outras universidades estrangeiras

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