Descolamento da placenta: o que deve saberNotícias de Saúde

Terça, 28 de Junho de 2016 | 840 Visualizações

Fonte de imagem: placentasagrada

O descolamento de placenta que ocorre durante a gravidez constitui uma grave complicação que exige diagnóstico e resolução adequada.

A placenta é uma estrutura embrionária, exclusiva da gestação (é um órgão temporário que serve o feto), que permite a realização de trocas entre a mãe e o feto e que desempenha um importante papel endócrino - vital na produção das hormonas essenciais ao normal decurso da gravidez.

É a placenta que permite ao feto respirar, alimentar-se e excretar os produtos do seu metabolismo, substituindo os pulmões, trato intestinal e rins.

Descolamento da placenta

Em condições normais, a placenta descola-se do útero no pós parto, sendo expulsa imediatamente após o nascimento do bebé (dequitadura). O descolamento prematuro da placenta, sendo mais comum no terceiro trimestre da gravidez, pode surgir após a 20ª semana (podendo por em causa o normal desenvolvimento do feto) ou no primeiro ou segundo estádios do trabalho de parto.

Localização da placenta

A localização da placenta pode ser determinante na evolução da gravidez e no momento do parto. Quando a placenta tem uma implantação baixa pode ocorrer um descolamento que cause hemorragias.

Se a placenta obstruir "parcial ou totalmente o orifício interno do colo do útero" obriga à realização de uma cesariana programada.

Causas diretas

O descolamento de placenta pode ser provocado por:

  • Traumatismo abdominal
  • Existência de um cordão umbilical curto
  • Polihidrâmnios (excesso de líquido amniótico)
  • Descompressão uterina súbita
  • Miomas
  • Anomalias uterinas
  • Placenta circunvalata
  • Hipertensão
  • Oclusão do segmento inferior da veia cava inferior

Fatores de risco

Apesar de, muitas vezes, não haver uma causa específica, existem fatores de risco que aumentam a probabilidade de um descolamento da placenta. Antecedentes de descolamento de placenta em gravidezes anteriores, hipertensão crónica, hipertensão gestacional, trombofilias (alteração da coagulação), diabetes, hemorragias prévias na gestação, rutura prematura da bolsa amniótica e fibroma uterino, aumentam a probabilidade de ocorrência de um descolamento prematuro da placenta.

A gravidez gemelar, o consumo de tabaco e drogas e a maternidade tardia são, igualmente, outras das causas.

Sintomas de descolamento da placenta

Normalmente, os sintomas de descolamento da placenta são:

  • Hemorragia discreta ou intensa
  • Dor súbita
  • Rigidez uterina (hipertonia uterina)
  • Sensibilidade uterina
  • Contrações uterinas com início espontâneo
  • Movimentos fetais excessivos (indicadores de sofrimento fetal)
  • Ausência de batimentos cardíacos
  • Choque - dispneia, palidez, agitação e taquicardia

Emergência médica

Em caso de descolamento da placenta, a intervenção clínica atempada é fundamental. Um quadro de dor abdominal intensa, acompanhada de hemorragia com coágulos, diminuição dos movimentos fetais ou ausência dos mesmos, fraqueza com sensação de desmaio, palidez, sudorese e taquicardia, constituem uma emergência médica.

Diagnóstico, tratamento e complicações

O diagnóstico de descolamento da placenta é clínico. Os sintomas referidos obrigam a uma deslocação a um serviço de urgência de um hospital com maternidade. Faz-se uma observação e exame físico com avaliação tensão arterial e parâmetros vitais. Avaliam-se as perdas de sangue e faz-se uma ecografia e uma cardiotocografia C.T.G. se o quadro clínico o permitir.

Pode ser necessário realizar exames complementares (análises de sangue para grupo sanguíneo e outros parâmetros laboratoriais). Também pode ser necessário realizar um parto urgente/emergente (por cesariana, caso haja hemorragia abundante e se confirme o descolamento).

Após o parto, podem ocorrer complicações, como choque com anúria (ausência de urina na bexiga), que pode acontecer de forma transitória ou definitiva, e hemorragias graves, por complicações vasculares e hematológicas (coagulopatia de consumo). Estas situações obrigam por vezes a transferências para os cuidados intensivos para vigilância, sobretudo se instalada uma coagulopatia de consumo, e a necessidade de transfusões de sangue ou derivados.

Interessa-lhe saber

Um descolamento parcial da placenta, sobretudo em fases mais precoces da gravidez, pode requerer repouso absoluto e ingestão abundante de água e não implicar a resolução urgente da gravidez.

 

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