Descoberto possível sintoma inicial da AlzheimerNotícias de Saúde

Quinta, 27 de Setembro de 2018 | 39 Visualizações

Fonte de imagem: Veja

A doença de Alzheimer poderá ser diagnosticada de forma ainda mais precoce através de uma quebra na barreira hematoencefálica (BHE) que protege o sistema nervoso central, sugeriu um novo estudo.

A hipótese foi avançada por Berislav Zlokovic, da Faculdade de Medicina Keck da Universidade da Califórnia do Sul, EUA, e colegas, que consideram fundamental perceber o primeiro passo no desenvolvimento da doença de Alzheimer para que seja possível combatê-la.
 
Os investigadores consideram, atualmente, que quanto mais cedo esta doença neurodegenerativa e irreversível for detetada, melhor será a possibilidade de se travar ou desacelerar a progressão da mesma.
 
“A incapacidade cognitiva e a acumulação no cérebro das proteínas anormais amiloide e tau são aquilo em que atualmente nos baseamos para diagnosticar a doença de Alzheimer, mas pode-se observar quebras na barreira hematoencefálica e alterações na corrente sanguínea cerebral muito antes”, explicou Berislav Zlokovic.
 
“Isto demonstra a razão pela qual vasos sanguíneos saudáveis são tão importantes para o funcionamento normal do cérebro”, acrescentou. 
 
A BHE consiste num sistema de filtração que deixa passar substâncias benéficas para o cérebro (glicose, aminoácidos e outras) e impede a passagem de substâncias nocivas (bactérias, vírus e sangue). Este sistema é composto essencialmente por células do endotélio que reveste as centenas de quilómetros de artérias, veias e vasos capilares que alimentam o cérebro. 
 
Há estudos que indicaram que as ruturas na BHE podem permitir a passagem da proteína amiloide para o cérebro, aderindo aos neurónios, e desencadeando a acumulação de mais proteína, causando eventualmente a morte dos neurónios.
 
Os investigadores explicaram que é possível detetar ruturas na BHE através de uma substância de contraste em exames de ressonância magnética. As micro-hemorragias cerebrais são outro sinal de rutura e que são igualmente detetáveis em ressonâncias magnéticas. Finalmente, a absorção mais lenta de glicose pelo cérebro pode também indiciar rutura na BHE. 
 
Segundo Berislav Zlokovic, nenhum destes exames é prescrito pelos médicos de forma regular.

 

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

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