Descoberto gene que faz envelhecer o cérebroNotícias de Saúde

Terça, 21 de Março de 2017 | 36 Visualizações

Fonte de imagem: O Nortão

Uma equipa de investigadores descobriu uma variante genética comum que afeta substancialmente o envelhecimento cerebral em indivíduos de idade mais avançada.
 
Num estudo conduzido pelo Centro Médico da Universidade de Columbia, Nova Iorque, EUA, foi também apurado que os adultos mais velhos que possuíam duas cópias “más” do gene TMEM106B apresentavam uma maior possibilidade de desenvolverem doenças neurodegenerativas, como a Alzheimer.
 
Para o estudo, os investigadores analisaram tecido cerebral autopsiado de 1.904 pessoas que não tinham tido doenças neurodegenerativas. A equipa determinou a diferença entre a idade biológica (idade estimada com base na aparência) e cronológica (idade real) do córtex frontal de cada indivíduo. 
 
Seguidamente a equipa analisou o genoma de cada indivíduo para identificar as variantes genéticas associadas com as diferenças entre a idade biológica e cronológica.
 
Foi apurado que cerca de um terço da população possui duas cópias do gene TMEM106B, e que um terço possui uma cópia do mesmo. 
 
Os investigadores descobriram que os indivíduos de idade mais avançada que possuíam duas cópias “más” do gene TMEM106B apresentavam um córtex frontal 12 anos mais velho em termos biológicos do que os indivíduos que exibiam duas cópias normais daquele gene.
 
O gene geralmente começa a afetar pessoas com cerca de 65 anos, particularmente no córtex frontal, que é responsável por importantes processos mentais como a concentração, o planeamento, a formação de juízos de valor e a criatividade. 
 
“Até lá, todos estão no mesmo barco e nessa altura surge um stress que está ainda por definir”, explicou Asa Abeliovich, coautor do estudo. “Se se tem duas cópias boas do gene, responde-se bem a esse stress. Se se tiver duas cópias más, o cérebro envelhece rapidamente”, acrescentou o investigador.
 
O especialista acrescentou ainda que a doença começa em tecido saudável. Parece que se se tiver aquelas variantes genéticas o envelhecimento cerebral é mais rápido, aumentando a vulnerabilidade a doenças do cérebro. E o contrário sucede também: as doenças do cérebro também fazem envelhecer o cérebro de forma mais célere.
 
A equipa considera que o gene TMEM106B poderá constituir um biomarcador para o envelhecimento cerebral e que o próprio gene pode ser um alvo para o desenvolvimento de novos fármacos para doenças neurodegenerativas.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cell Systems”

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