Descoberto gene que controla infeção alimentar mais mortífera da EuropaNotícias de Saúde

Domingo, 10 de Março de 2019 | 8 Visualizações

Fonte de imagem: Power of P

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriram o gene responsável pelo processo infecioso da listeriose, uma infeção de origem alimentar que “mais mortes causa atualmente na Europa”.
 
Com sintomas semelhantes aos de uma gripe, esta infeção, cujo tratamento é realizado com antibióticos e pode demorar vários meses, "embora desconhecida para a maioria, tem uma taxa de mortalidade muito grande, de cerca de 20%", disse à agência Lusa o investigador do i3S Didier Cabanes, coordenador do estudo.
 
De acordo com o instituto de investigação, as bactérias patogénicas dependem de um conjunto de genes que determinam o seu grau de patogenicidade, ou seja, a sua capacidade para infetar com sucesso o hospedeiro. Esses genes estão relacionados com funções cruciais, como a capacidade de invasão, de aproveitamento nutricional ou de enganarem o sistema imunológico do hospedeiro.
 
Quando "estão num ambiente onde não necessitem desses mecanismos de infeção", os mesmos mantêm-se inativos, porém, ao entrarem num novo ambiente, como o organismo humano, "ativam um conjunto de cadeias regulatórias a nível genético para rapidamente responderem às novas condições", informou o investigador do i3S.
 
Neste estudo, a equipa descobriu que é o gene denominado MouR que determina a patogenicidade da bactéria “Listeria monocytogenes”, responsável por causar a listeriose.
 
Este gene é responsável por "uma adaptação radical da bactéria" ao organismo que, além de desencadear um conjunto de mecanismos que lhes permite enganar o sistema imunológico e estimular a capacidade proliferativa da bactéria, tem a capacidade de formar biofilmes no trato intestinal humano.
 
Quando uma bactéria entra em contacto com a parede intestinal do hospedeiro, a mesma adere à parede, constituindo aí uma comunidade de bactérias, que desempenham diferentes papéis.
 
Assim, apesar de muito comum no ambiente, quando em contacto com o organismo humano, a bactéria adapta-se e transforma-se "num patogénico letal, pronto para vencer as condições hostis do trato digestivo e invadir o nosso organismo, ultrapassando as nossas defesas e barreiras", acrescentou.
 
Segundo o i3S, alimentos manipulados inapropriadamente ou frigoríficos pouco cuidados, são "a fonte perfeita para a contaminação", correndo maior risco as pessoas imunodeprimidas, os idosos, e, sobretudo, as grávidas.
 
Em Portugal, o último surto de listeriose declarado foi em 2011, associado ao consumo de um queijo específico, que causou infeções graves em 30 pessoas, 11 das quais não sobreviveram.

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Referência
Estudo publicado na revista “Nucleic Acids Research”

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