Descoberta forma de evitar a rejeição de transplantesNotícias de Saúde

Quinta, 28 de Dezembro de 2017 | 48 Visualizações

Fonte de imagem: UPMC

Uma equipa de investigadores descobriu um código nos linfócitos T que poderá ser a chave para evitar a rejeição de transplantes e tratar as doenças autoimunes.
 
Num estudo conduzido por Wenhao Chen, investigador no Centro de Imunobiologia e de Ciências de Transplantes no Instituto de Investigação Metodista de Houston, EUA, e colegas, foi identificado um interruptor que controla a função e disfunção dos linfócitos T, assim como uma via de atuação sobre esse mesmo interruptor.
 
Os linfócitos T são glóbulos brancos que protegem o organismo das infeções, desempenhando um papel essencial não só nas infeções, mas também nas doenças autoimunes e na rejeição de transplantes. A perceção do funcionamento destas células é muitíssimo importante para tratar aqueles problemas.
 
Para este estudo, a equipa de investigadores apagou, de forma sistemática, diferentes moléculas nos linfócitos T com o intuito de identificar as que aquelas células necessitam para desempenharem a sua função.
 
A equipa descobriu que o fator de transcrição conhecido como IRF4 é uma das moléculas mais importantes para controlar a expressão genética nos linfócitos T, apenas encontrada no sistema imunitário, sem expressão noutras células.
 
Segundo Wenhao Chen, a molécula IRF4 é a chave para resolver o problema da rejeição de transplantes ou para curar uma doença autoimune. O investigador explicou que se apagarmos aquela molécula nos linfócitos T, estas células tornam-se disfuncionais, com possibilidade de resolver os problemas de autoimunidade e da rejeição de transplantes. 
 
Sendo assim, se se encontrar um inibidor da IRF4 encontrar-se-á uma cura para estes problemas, através da atuação sobre os linfócitos T ativos que já tenham sido expostos a antígenos, deixando os chamados linfócitos T naïve (ou seja, os que nunca foram expostos a antígenos e não produzem IRF4 ou muito pouco) intocados.
 
Os linfócitos T naïve apenas produzem IRF4 quando lutam contra as infeções. Os linfócitos T com IRF4 são os responsáveis pela rejeição de transplantes e pela autoimunidade. Ao atuar-se apenas sobre estes, deixa-se os outros linfócitos T no sistema imunitário para lutarem contra as infeções. 
 
A equipa inibiu a expressão de IFR4 durante 30 dias. Como resultado, os linfócitos T ficaram disfuncionais de forma irreversível. Isto pode significar o prolongamento da possibilidade de um paciente tolerar um órgão transplantado. “Como inibir de forma terapêutica a IRF4 é a questão digna de prémio Nobel”, rematou Wenhao Chen.

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Referência
Estudo publicado na revista “Immunity”