Descoberta de novos biomarcadores para o cancro do testículo pode evitar cirurgias agressivasNotícias de Saúde

Quarta, 19 de Setembro de 2018 | 38 Visualizações

Fonte de imagem: Scientific Animations

Trabalho foi premiado no Congresso da Associação Americana de Urologia e publicado no Journal of Urology Uma equipa de urologistas, entre os quais Ricardo Leão, coordenador de Urologia do Hospital CUF Coimbra, descobriu que o uso de biomarcadores (miRNA) permite evitar cirurgias agressivas que, até hoje, eram realizadas sem hipótese de diagnóstico prévio em doentes com tumores do testículo metastizado.

O cancro do testículo é o tumor mais frequente nos homens entre os 18 e 35 anos e qualquer intervenção médica que cause alteração da sua qualidade de vida deve ser devidamente ponderada. De acordo com Ricardo Leão, neste trabalho o enfoque esteve num grupo específico de doentes com cancro do testículo (não-seminomas): metastizado e já submetidos a quimioterapia.

Após a realização de quimioterapia, alguns destes doentes ainda apresentavam lesões metastáticas. Dado que não existe possibilidade de diagnosticar a natureza destas lesões, estas são removidas cirurgicamente quando medem mais do que um centímetro. Esta cirurgia é muito agressiva e resulta em morbilidade significativa. Infelizmente, em cerca de 45%-50% dos casos, estes doentes não beneficiam da cirurgia (as lesões são apenas fibrose/necrose resultante da quimioterapia). Agora, estes biomarcadores (micro RNA) permitem predizer a histologia das lesões residuais pós-quimioterapia.

Este estudo provou que estes biomarcadores, quando negativos, sugerem a inexistência de tumor ativo, o que permitirá poupar estes doentes a uma cirurgias muito agressiva. Ricardo Leão acredita que, “do ponto de vista da evolução da Medicina do século XXI, não faz sentido expor doentes a tratamentos invasivos sem certezas diagnósticas. Deste modo, estes biomarcadores poderão mudar o paradigma do tratamento de doentes com doença testicular metastática e auxiliar os urologistas a adequar a sua prática clínica proporcionando ao doente a terapêutica mais indicada – baseada numa medicina cada vez mais personalizada”.

A equipa de investigação está envolvida, atualmente, num consórcio internacional que inclui equipas de investigação dos EUA, Canadá, Holanda Alemanha e cujo objectivo é reunir o maior número de doentes com cancro do testículo por forma a validar estes miRNA como biomarcadores com aplicação clínica. De acordo com Ricardo Leão, “a comunidade científica internacional que se dedica ao estudo e tratamento do cancro do testículo entende que estamos próximos de algo muito importante e este é provavelmente o próximo biomarcador a usar nas nossas clínicas ”.

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Banco da Saúde
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