Descoberta associação entre flora gastrointestinal e esclerose múltiplaNotícias de Saúde

Terça, 16 de Outubro de 2018 | 23 Visualizações

Fonte de imagem: Medical News Today

Uma equipa de investigadores sugere que se deve alargar o âmbito da perspetiva adotada para a investigação da esclerose múltipla.
 
Como se sabe, a esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune, em que o próprio sistema imunitário ataca e danifica o revestimento protetor das células nervosas, o qual é composto por mielina. A mielina é uma membrana biológica de proteínas e substâncias adiposas. Por isso, a investigação sobre a EM tem-se centrado sobre os componentes da bainha de mielina.
 
Os investigadores, liderados por Mireia Sospedra e Roland Martin da Universidade de Zurique, na Suíça, conduziram um estudo em que descobriram que os linfócitos-T (células imunitárias responsáveis pelos processos patológicos) reagem a uma proteína conhecida como síntese da GDP-L-fucose. Esta enzima é formada em células humanas e em bactérias presentes no microbioma gastrointestinal de pacientes com EM.
 
“Achamos que as células imunitárias são ativadas nos intestinos e depois migram para o cérebro, onde provocam uma cadeia inflamatória sempre que se encontram com a variante humana do seu antígeno alvo”, explicou a investigadora Mireia Sospedra.
 
Os investigadores estudaram pacientes com EM e observaram que o microbioma gastrointestinal poderá contribuir muito mais para a doença do que anteriormente se pensava. A investigadora espera que estes achados possam conduzir ao desenvolvimento de tratamentos para a doença e planeia testar os componentes imunoativos da síntese da GDP-L-fucose.
 
“A nossa abordagem clínica atua especificamente sobre as células imunitárias auto-reativas patológicas”, explicou Mireia Sospedra. 
 
Esta abordagem difere substancialmente de outros tratamentos que atuam sobre todo o sistema imunitário. Embora estes tratamentos consigam muitas vezes travar a progressão da doença, podem também enfraquecer o sistema imunitário, o que poderá causar problemas graves.

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Referência
Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

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